
Victor Maria revive em livro memórias de repressão e clandestinidade
Victor Maria encontra no seu mais recente livro uma separação da sua terra natal, a Marinha Grande. ‘Crimes no Douro’, no entanto, não é só uma história de imigração interna, mas também uma história de clandestinidade e de um fugitivo da repressão. O escritor explicou, em entrevista com o Diário de Leiria, que ‘Crimes no Douro’ representa o saber “compreender o exílio do pensamento”, o amar outras tradições e outros povos, e uma “reflexão sobre a tirania” que o autor viveu.
‘Crimes no Douro’ não é só sobre escapatória. Victor Maria quis mostrar “a condição social daquela gente dedicada à terra e a vinha”, e a sua “escrupulosa honestidade e honra, assim como a sua têmpera”.
O escritor procurou não só a introspeção, mas também sublinhar “marcas da ditadura num clima de clandestinidade”, contrastando a sua maneira de pensar, sendo um “resistente numa vila industrial”, com “outra dignidade e menos respeito pela pessoa humana”. Ao abrigo desta perspetiva mais social da obra, Victor Maria explora também o “poder omnipotente dos proprietários e empresários dessa altura” e a “condição social dos empregados dessa época”. O autor irá continuar a explorar a faceta política da sua vida e contar “o que foram esses tempos de luta constante” e descrever “as proibições e a perseguição da PIDE-DGS”. Adicionando a uma previsão futura da sua carreira literária, Victor Maria admite também partilhar o que foi o seu “conforto social e mental” tanto como a “penetração num conforto morno e aconchegante que anteriormente desconhecia”.
Num futuro mais próximo, o autor irá apresentar ‘Crimes no Douro’ em Leiria, na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, e na Marinha Grande, no Edifício da Resinagem, na Marinha Grande, em junho e julho.
De recordar que Victor Manuel Coutinho Maria – ou ‘Victor Maria’, como assina os seus livros – foi distinguido em 2015 pela Secretaria de Estado das Comunidades com uma medalha de mérito pelos seus contributos literários.
Natural da Marinha Grande, emigrado em St. Etienne, França, conta já com mais de duas mãos cheias de obras no seu currículo, escritas maioritariamente em francês. Atualmente, está a ser traduzido e distribuído em seis línguas e 36 países, sobretudo na lusófona.








