
Petição defende padronização das telhas em Portugal
Uma telha partida partida pode obrigar à substituição de toda a cobertura. Uma petição, remetida ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, defende a criação de normas para garantir compatibilidade entre telhas e travar custos elevados para os proprietários.
De acordo com a petição, a falta de compatibilidade de telhas está a levar muitos proprietários a substituir telhados inteiros por causa de danos pontuais. “Existem dezenas de modelos de telhas e cada fabricante usa medidas e encaixes diferentes. Quando algumas telhas se partem, por tempestades, vento ou desgaste, muitas vezes já não existem peças compatíveis no mercado”, alerta a petição.
O documento aponta diversidade de modelos existentes em Portugal, como telha lusa, marselha, canudo ou plana, e para o facto de cada fabricante utilizar medidas e encaixes diferentes. Uma realidade que, segundo a petição, resulta de “práticas históricas e comerciais, e não por limitações técnicas”.
Apesar de existirem normas europeias para telhas cerâmicas, estas não garantem a compatibilidade entre produtos. “Normas europeias como a EN 1304 regulam desempenho, mas não asseguram compatibilidade dimensional”, refere a petição.
Entre os principais problemas identificados estão a “impossibilidade de substituição de telhas danificadas”, a “necessidade de substituição integral de coberturas” e o consequente “aumento significativo de custos de reparação”.
Além do impacto económico, a iniciativa alerta também para o desperdício de materiais e para o impacto ambiental associado.
A petição propõe a criação de normas que definam parâmetros essenciais, como dimensões e sistemas de encaixe, de forma a garantir que telhas de diferentes fabricantes possam ser compatíveis. “A padronização de interfaces técnicas é prática comum em diversos setores, garantindo compatibilidade entre fabricantes, proteção dos consumidores e redução de desperdício”, defende a petição.
O tema ganhou maior visibilidade após fenómenos meteorológicos recentes, como a depressão Kristin, que deixaram várias habitações danificadas. “Esta situação tornou-se particularmente evidente na sequência das recentes tempestades”, sublinha o documento, referindo dificuldades na reparação devido à inexistência de telhas compatíveis.
A petição defende ainda que Portugal deve avançar com legislação nacional e promover uma norma europeia, prevendo um período de transição para o setor.







