
Região de Leiria vai ter mais meios para combater incêndios
A Região de Leiria vai contar este ano com mais meios integrados no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR). A garantia foi deixada pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, na sexta-feira, numa conferência de imprensa, em Leiria, para fazer um ponto de situação sobre o trabalho desenvolvido pelo Comando Integrado de Prevenção e Operações.
Segundo Luís Neves, se o Governo “identificou, a partir de Leiria, um epicentro para o Norte, para o Sul e para o interior do país, 22 concelhos como sendo prioritários, a priorização não é só agora para o momento da limpeza, da desobstrução [de caminhos florestais], mas é, também, para a afetação de meios”.
Depois de uma reunião de trabalho com as entidades envolvidas no Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), onde estiveram também os ministros da Defesa Nacional, Nuno Melo, e da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, Luís Neves adiantou que foi discutida “a posição da Base Aérea mais próxima [Monte Real, no concelho de Leiria]”, referindo que “já estão pré-posicionados nos centros de meios aéreos aeronaves que cobrem este perímetro”.
“Há esta resposta do ponto de vista repressivo, de combate ao incêndio, de meios aéreos e há também uma grande aposta nos meios de vigilância. Estamos muitas vezes vocacionados só para agir após o que está a ser feito. O que está a ser feito é agir antes, na proatividade”, salientou.
O governante considerou que “para meios de exceção, há respostas de exceção”, precisamente o que esteve “na génese da criação deste Comando Integrado”.
Na quinta-feira, o presidente da Câmara Municipal de Leiria, Gonçalo Lopes, defendeu mais meios no DECIR para a região, na sequência da destruição da floresta provocada pela depressão Kristin.
Ainda durante a conferência de imprensa, Luís Neves foi confrontado com o reforço do SIRESP anunciado pelo Governo para as regiões afetadas pelas tempestades, nomeadamente para a região de Leiria, e questionado sobre se esse reforço estará operacional ainda a tempo do verão, tendo respondido de forma afirmativa.
“Também esta zona terá mais meios para que as comunicações não falhem, mas quero dizer que nós não dominamos o clima. Não dominamos circunstâncias que aparecem muitas vezes de uma forma abrupta”, adiantou, assegurando que no verão “já haverá mais capacidade de resposta” no que diz respeito às comunicações.
“O Governo tem feito um trabalho de financiamento e estamos capacitados para responder aos maiores anseios que aqui são colocados. Temos dados móveis, temos viaturas, mais antenas, mais resistência e resiliência e temos mais capacidade do ponto de vista energético para manter a ação se houver alguma questão da falta de energia”, acrescentou.
O ministro da Administração Interna garantiu que o CIPO, inicialmente previsto funcionar até 31 de maio para as regiões Centro e de Lisboa e Vale do Tejo, “não tem fim para terminar”, acrescentando que poderá ganhar outra valência caso exista “uma situação de agravamento relativamente a incêndios”, de também “trabalhar nessa esfera”.
Luís Neves aproveitou ainda para reiterar o apelo para a limpeza dos terrenos florestais, prevendo, novamente, um verão “muito duro” devido aos incêndios.
Cerca de 10 mil quilómetros de caminhos desobstruídos
Durante a apresentação, o responsável do Comando Integrado de Prevenção e Operações, Elísio Oliveira, adiantou que cerca de 10 mil quilómetros da rede viária florestal já foram desobstruídos nas regiões Centro e de Lisboa e Vale do Tejo.
“A rede viária florestal existente ascende a mais de 56 mil quilómetros. Foram identificados mais de 12 mil quilómetros a carecer de intervenção, mas, neste momento, temos já aqui um trabalho de cerca de 10 mil quilómetros, efetivamente, desobstruído”, frisou Elísio Oliveira.
O Comando Integrado de Prevenção e Operações tem como finalidade a remoção do material combustível acumulado pelas tempestades, a limpeza de áreas críticas, a reabertura de caminhos e a melhoria de acessos.






