
Ravens voam alto no footgolf nacional
Num terreno privado da Guarda Nova, na Marinha Grande, há um campo de 12 buracos onde alguns dos melhores jogadores nacionais de footgolf afinaram o pontapé. Foi ali que se consolidou parte do percurso competitivo dos Ravens Footgolf Club, uma coletividade marinhense fundada em 2019 por amigos apaixonados pela modalidade e que, em poucos anos, se transformou numa das equipas mais respeitadas do panorama nacional.
O clube nasceu depois de uma experiência anterior enquanto Leiria Footgolf, mas a proximidade entre os atletas marinhenses acabou por motivar a criação de uma identidade própria. “Achámos que fazia sentido ter uma equipa nossa”, recorda Flávio Azenha, jogador, vice-presidente e um dos sócios-fundadores dos Ravens.
A evolução foi rápida. Num desporto ainda em crescimento em Portugal, os Ravens conseguiram afirmar-se através da regularidade competitiva. Para Flávio Azenha, os resultados explicam-se sobretudo pela dedicação e por terem apostado numa modalidade que até então tinha poucos praticantes.
Hoje, os Ravens contam com 12 atletas e acumulam títulos individuais e coletivos a nível nacional, além da presença de vários jogadores em competições internacionais, incluindo Campeonatos da Europa e do Mundo.
Apesar de o nome do clube não incluir a referência direta à cidade, os Ravens assumem-se como representantes da Marinha Grande por todo o país. “Sendo daqui da Marinha Grande, para mim é um orgulho”, afirma Flávio Azenha, destacando, porém, que a equipa sempre privilegiou também o lado humano na escolha dos seus elementos. “Mais do que serem bons ou maus jogadores, têm de ser boas pessoas”, vincou.
Num desporto onde muitos praticantes são antigos futebolistas, a adaptação acontece de forma natural. “O à-vontade com a bola é completamente diferente”, explica o jogador. Mais difícil é garantir continuidade competitiva, sobretudo devido aos custos associados às deslocações. “Já não é só ir experimentar e dar uns chutos na bola. Há despesas, tempo, viagens, dormidas”, refere.
Sem campo próprio oficial nem sede desportiva convencional, os Ravens funcionam de forma quase familiar. A sede está instalada na casa de um dos elementos do clube e os treinos decorrem, muitas vezes, no terreno privado de Flávio Azenha. O espaço chegou a receber torneios e ligas de verão, embora atualmente esteja condicionado devido aos estragos provocados pela depressão Kristin.
O sonho de criar um clube com melhores condições continua vivo, mas esbarra na falta de tempo e recursos. “O meu sonho era fazer um clube em condições”, admite. Ainda assim, o crescimento sustentado do footgolf em Portugal alimenta a ambição dos Ravens. Flávio acredita que, mais cedo ou mais tarde, clubes históricos do futebol português irão entrar na modalidade e, quando isso acontecer, faz questão que “os Ravens estejam entre eles”.
Num Dia do Município dedicado às coletividades locais, os Ravens apresentam-se como exemplo de um projeto construído pela paixão ao desporto, pelo voluntarismo e pela capacidade de criar comunidade. E é precisamente essa mensagem que Flávio Azenha deixa aos marinhenses: “Experimentem o footgolf.”
“É um desporto que nos permite voltar a sentir competitivos, independentemente da idade. Dá para jogar dos 8 aos 80”, resume. Mais do que os resultados, o dirigente destaca o convívio, a amizade entre atletas de diferentes equipas e a possibilidade de continuar ligado ao prazer simples de “dar chutos na bola” e desfrutar do ambiente dos relvados.








