
“Mais do que o conhecimento técnico, a ESTM incutiu-me curiosidade e vontade de aprender continuamente”
Nome: Rui Alexandre Gonçalves
Idade: 43 anos
Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar (ESTM)
Curso: Biologia Marinha e Biotecnologia
Ano de conclusão: 2006
Profissão: Especialista em Aquacultura; Diretor-adjunto de Aquacultura na Singapore Food Agency (Singapura)
Recorda-se do seu primeiro dia no Politécnico de Leiria?
Recordo-me bem. Foi uma mistura de entusiasmo e curiosidade — o início de uma nova etapa, longe de casa. Apesar de estar junto ao mar, em Peniche, lembro-me da estranheza de não ver verde na cidade, algo muito diferente da Madeira.
Porquê o IPLeiria?
Na altura, o curso de Biologia Marinha e Biotecnologia era único pela componente prática e proximidade ao mar. Peniche oferecia o cenário ideal — uma cidade costeira com forte ligação às atividades marítimas. Foi uma escolha natural para quem sempre teve paixão pelo oceano e pela investigação marinha.
Quais as melhores memórias que guarda?
Guardo excelentes memórias — todos nos conhecíamos e partilhávamos o mesmo entusiasmo. Lembro-me especialmente das manhãs antes das aulas, em que íamos surfar; foi uma das experiências mais marcantes e que ainda hoje deixa saudades.
Como foi o seu percurso após o término do curso?
Após a licenciatura, comecei a trabalhar na empresa onde estagiei — uma maternidade de dourada e robalo no Algarve. Concluí o Mestrado em Aquacultura na Universidade do Algarve, com tese sobre nutrição lipídica em juvenis de linguado. Seguiram-se projetos de investigação sobre reprodução e nutrição de espécies marinhas, como o choco europeu. Em 2013, aceitei um desafio na Noruega, numa empresa de cultivo de ouriços-do-mar, e mais tarde mudei-me para Viena, onde trabalhei na BIOMIN e realizei o Doutoramento na Universidade de Stirling sobre o impacto das micotoxinas em peixes.
Depois disso, trabalhei na Lucta (Espanha) e concluí um MBA em Agribusiness na TIAS/Wageningen University. Atualmente, vivo em Singapura, onde sou Diretor-Adjunto de Aquacultura na Singapore Food Agency, responsável pela estratégia e inovação do setor.
Quais foram as motivações para emigrar?
Sempre tive curiosidade em aprender e viver novas experiências. Trabalhar fora permitiu-me crescer, conhecer outras realidades e ganhar uma visão global. A aquacultura é um setor internacional — mais de 60% da produção mundial está na Ásia — e compreender o setor exige conhecer os seus principais polos de desenvolvimento.
E de que modo o Politécnico contribuiu para a sua formação e carreira profissional?
A formação na ESTM foi a base da minha carreira. Foi lá que adquiri disciplina científica, pensamento crítico e gosto pela experimentação. Mais do que o conhecimento técnico, a ESTM incutiu-me curiosidade e vontade de aprender continuamente — competências essenciais num setor em constante evolução.
Que competências considera mais relevantes para se ser um bom profissional?
Curiosidade, capacidade de adaptação e vontade de aprender. A técnica aprende-se, mas o pensamento crítico, a resolução de problemas e o trabalho em equipa fazem a diferença. A internacionalização e o domínio do inglês são também fundamentais.
Onde se vê daqui a 10 anos?
Vejo-me ainda ligado à aquacultura, talvez com a oportunidade de regressar a Portugal e partilhar a experiência acumulada para apoiar o desenvolvimento do setor.
Que mensagem gostaria de deixar aos atuais e futuros estudantes do IPLeiria?
Aproveitem ao máximo esta fase e mantenham a curiosidade viva. O mundo é maior do que parece e o conhecimento adquirido no IPL pode levar-vos longe. Invistam em aprendizagem contínua, comunicação e línguas — e nunca deixem de sonhar alto.









