
CIM Região de Leiria continua sem receber dinheiro do fundo Revita
A Região de Leiria não recebeu dinheiro do Revita, fundo para apoiar populações afetadas pelos incêndios de junho de 2017, cerca de um ano depois de o Governo ter concordado com a descentralização para a Comunidade Intermunicipal (CIM).
À agência Lusa, o secretário executivo da CIM, Paulo Batista, afirmou que até hoje “não foi ainda transferido qualquer valor para a CIM da Região de Leiria”, mas disse acreditar que tal venha a ocorrer em breve.
Na última reunião da CIM, na passada semana, na Batalha, foi deliberada a abertura de uma conta bancária específica para o efeito, assim como a contratação de auditor externo e revisor oficial de contas.
Paulo Batista esclareceu que a CIM já adiantou dinheiro para assegurar a continuidade da construção de uma habitação em Castanheira de Pera.
O Revita foi criado pelo Governo para gerir os donativos entregues no âmbito da solidariedade demonstrada aquando dos incêndios de 2017 – passaram na quarta-feira nove anos sobre os fogos de Pedrógão Grande -, tendo aderido ao fundo 66 entidades, com donativos em dinheiro, bens e prestação de serviços.
“Os donativos em dinheiro ascendem a 5.446.296,31 euros”, lê-se no relatório de atividades e contas do exercício de 2023, o último disponível no sítio na Internet do Revita, fundo, que, “atendendo à dimensão das responsabilidades assumidas”, o Ministério da Solidariedade e Segurança Social reforçou o seu financiamento “em 2.500.000 euros”.
Pelo fundo, foi assegurada a distribuição de casas a reconstruir naqueles concelhos do distrito de Leiria e em mais quatro, de Coimbra e de Castelo Branco.
O mesmo relatório revelou que o fundo tinha, no dia 31 de dezembro de 2023, 1.328.793,59 euros em depósitos.
Em 26 de agosto de 2025, Paulo Batista, representante de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos (os concelhos mais afetados pelos fogos de junho de 2017) no Conselho de Gestão do Revita disse à Lusa que o Governo concorda com a descentralização do fundo para a CIM da Região de Leiria, após uma reunião onde estiveram várias entidades.
Na mesma ocasião, Paulo Batista afirmou que o executivo concordou que o resultado positivo do fundo, após concluída a reconstrução das habitações sob responsabilidade do Revita, deverá ser canalizado para um projeto de índole social, aceitando a construção de uma creche naquela região.
“Ficou decidido que se iria avaliar a melhor solução para operacionalizar este processo de transferência, com o objetivo de dar resposta célere e encerrar os processos pendentes de reconstrução das casas”, declarou àquela data o secretário executivo da CIM.
O representante daqueles municípios assegurou ainda haver uma “genuína vontade de que este processo seja transparente e célere em benefício das pessoas afetadas pelos incêndios e do território”.
Os incêndios que deflagraram em 17 junho de 2017 em Pedrógão Grande e que alastraram a concelhos vizinhos provocaram a morte de 66 pessoas, além de ferimentos a 253 populares, sete dos quais graves. Os fogos destruíram cerca de meio milhar de casas e 50 empresas.
A Comunidade Intermunicipal integra os municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.







