
Questões meteorológicas começam a pesar na hora de fazer remodelações em casa
Quase cinco meses após a passagem da depressão Kristin, os estragos materiais continuam visíveis em vários pontos da Marinha Grande. Mas há marcas menos evidentes que persistem entre a população. O trauma provocado pelos ventos fortes e pelos danos causados em habitações parece estar a traduzir-se numa nova preocupação com as condições meteorológicas, sobretudo quando estão em causa obras, remodelações ou intervenções nas casas.
“Hoje, é engraçado, porque as pessoas já falam da questão do vento”, afirma Renato Soares, gerente e responsável pela 1.º Abrigo Imobiliária, na Marinha Grande. Segundo o agente imobiliário, tornou-se frequente ouvir comentários relacionados com a possibilidade de novos episódios de vento forte. “As pessoas pensam: não vou pôr isto aqui, porque se calhar depois vem o vento. Já existe essa preocupação”, explica.
Para Renato Soares, esta mudança de atitude resulta do impacto emocional que a tempestade deixou na região. “A questão do vento ficou. É quase como um trauma”, considera.
Embora admita que a memória do episódio possa perder intensidade com o passar dos meses, acredita que o fenómeno continuará a influenciar a forma como muitos moradores encaram as suas habitações. “Foi uma situação traumática para a população da região de Leiria, especialmente da Marinha Grande, que ficou muito afetada”, explicou ao nosso jornal.
Apesar desta maior sensibilidade às questões meteorológicas, o responsável garante que não tem assistido a desistências de compras ou arrendamentos motivadas pelo receio de futuras tempestades.
As preocupações surgem sobretudo numa fase posterior, quando os proprietários ponderam obras ou procuram reforçar a proteção dos imóveis. “Não tivemos casos de pessoas que deixassem de fazer negócio por causa disso. Essas questões surgem mais na remodelação ou na construção, na tentativa de precaver algumas coisas”, constatou.
A realidade do mercado imobiliário local também ajuda a explicar esta situação. Numa altura em que a oferta continua reduzida, sobretudo na compra de habitação, muitos compradores acabam por ter pouca margem de escolha. “Quem necessita mesmo de comprar não tem muita opção”, observa. Segundo Renato Soares, a procura continua elevada, especialmente para imóveis até aos 300 mil euros, enquanto a oferta disponível permanece escassa.
Embora o mercado tenha retomado a sua atividade habitual, os meses que se seguiram à tempestade foram marcados por um intenso trabalho de resposta aos danos provocados pelo mau tempo. A imobiliária, que além da venda e arrendamento também assegura a gestão de imóveis arrendados, recebeu inúmeras solicitações de proprietários e inquilinos afetados.
“Foi muita coisa mesmo”, recorda. A prioridade passou por contactar os arrendatários para avaliar a situação de cada imóvel e resolver os problemas mais urgentes. “Tentámos perceber se estava tudo bem e ajudar dentro das nossas limitações. Aquilo foi tudo ao mesmo tempo”.
Os danos mais frequentes registaram-se nos telhados, mas também houve estragos em janelas, chaminés e estruturas exteriores. Em alguns casos, a força do vento provocou destruição significativa.
Apesar da gravidade de algumas situações, o responsável refere que a maioria dos problemas mais urgentes foi resolvida. Ainda assim, muitas intervenções definitivas continuam por realizar, devido à escassez de mão de obra especializada e à demora nos processos de indemnização por parte das seguradoras.
Ainda que os efeitos materiais persistam e muitos proprietários continuem envolvidos em processos de reparação, o responsável considera que o setor imobiliário recuperou da paralisação temporária sentida nas semanas seguintes à tempestade. Durante esse período, a atividade praticamente estagnou. “Ninguém estava a pensar em negócios. As pessoas estavam a tentar resolver os seus problemas ou ajudar familiares e amigo”, recordou.







