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Osso de baleia encontrado em Peniche será transformado em modelo digital

Durante séculos fez parte de uma construção histórica e, agora, um osso de baleia existente em Atouguia da Baleia vai ser transformado num modelo digital tridimensional

Um osso de baleia integrado na parede de uma construção histórica em Atouguia da Baleia, no concelho de Peniche, vai ser transformado num modelo digital tridimensional, através do projeto Whale-Twin – Whales in the Wall: A Scalable Cultural Digital Twin Infrastructure for Europe’s Ocean Heritage.

A iniciativa é liderada por Cristina Brito, investigadora do CHAM – Centro de Humanidades da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Nova FCSH), que conquistou a sua primeira bolsa ERC Proof of Concept, atribuída pelo Conselho Europeu de Investigação, no valor de 150 mil euros.

Segundo a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, trata-se da primeira bolsa deste género atribuída à instituição e de um dos poucos projetos na área das Humanidades a receber este tipo de financiamento europeu.

O projeto irá recorrer a técnicas de fotogrametria para criar uma réplica digital de um dos ossos de baleia existentes.

O modelo reunirá informação histórica, arqueológica, biológica, ambiental e patrimonial, permitindo que “qualquer pessoa do mundo, em qualquer parte do mundo”, possa explorá-lo em “três dimensões e compreender o seu contexto histórico e científico”.

De acordo com a Nova FCSH, o projeto “parte de um caso singular existente em Atouguia da Baleia, onde vários ossos de baleia, alguns provavelmente datados do período medieval, foram incorporados em casas e outras construções ao longo dos séculos”.

Este património, considerado “único no contexto nacional e raro à escala europeia, constitui um testemunho da importância que a atividade baleeira teve na identidade e no desenvolvimento desta comunidade”, acrescentou a Nova FCSH, em comunicado.

O modelo passará a integrar o Atlas Digital dos Oceanos, desenvolvido no âmbito do projeto europeu 4-OCEANS – Human History of Marine Life, concentrando informação que até agora se encontrava dispersa por arquivos, estudos científicos e coleções patrimoniais.

Além da digitalização deste primeiro osso, o Whale-Twin pretende “demonstrar que esta metodologia pode ser aplicada a outros objetos, edifícios e paisagens ligados ao património marítimo”.

Numa fase posterior, o modelo poderá ser alargado à parede onde o osso está inserido, ao edifício e até a conjuntos patrimoniais de maior dimensão, criando novas formas de documentar, estudar e preservar a memória das comunidades costeiras.

O projeto resulta diretamente da investigação desenvolvida no âmbito da ERC Synergy Grant atribuída ao projeto 4-Oceans, que estuda a história da relação entre as sociedades humanas e a vida marinha ao longo de mais de dois mil anos, e decorrerá entre 2027 e 2028, durante 18 meses.

O Whale-Twin envolve ainda o município de Peniche, a Universidade do Minho, o Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS), a Iconictheory e o Bergen University Museum.

Julho 2, 2026 . 09:30

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