
Portugal envia ajuda humanitária e duas ambulâncias para a Venezuela
Portugal vai enviar para a Venezuela, previsivelmente no início da próxima semana, dois aviões carregados de medicamentos e outros meios de assistência humanitária e duas ambulâncias, disse hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
Os dois aviões da Força Aérea Portuguesa “levarão seis toneladas de medicamentos, 15 toneladas de material de higiene, material de conforto e de saneamento e duas ambulâncias completamente equipadas para darem assistência naquilo que nós chamamos agora o médio prazo, enfim, é um curto médio prazo, mas esta era a operação de emergência e agora passamos para uma segunda fase", disse o governante, à margem de uma visita do Presidente da República à sede da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, em Lisboa.
Nas declarações aos jornalistas sobre a ajuda à Venezuela, no seguimento do sismo que ocorreu naquele país com uma forte presença da comunidade portuguesa, Paulo Rangel acrescentou que as duas organizações não governamentais "Oikos e Cáritas vão fazer projetos de apoio a 1.500 famílias e, para isso, têm um orçamento de 400 mil euros".
Para além disso, apontou, serão canalizados 250 mil euros para organizações locais prestarem assistência psicológica e de médio prazo, agora que está a terminar a fase de ajuda no salvamento.
"A situação anímica e psicológica de muitas pessoas e de muitas famílias é obviamente motivo de grande preocupação; portanto, há cuidados imediatos do ponto de vista físico, a nível da prevenção de doenças, a nível da alimentação, do alojamento, de cuidados médicos, nomeadamente pela escassez de medicamentos, mas há também uma dimensão psicológica muito, muito preocupante e, portanto, nós estamos já a trabalhar nestas várias frentes", concluiu o governante.
Paulo Rangel disse que a data de segunda-feira, 6 de julho, é "a mais provável" para a saída dos dois aviões rumo à Venezuela e adiantou que estes poderão, no regresso, trazer os elementos da força operacional conjunta que está nas operações de salvamento e resgate.
"Estes aviões levarão esta ajuda e trarão as equipas que estão no terreno, portanto, elas têm que finalizar as suas operações, e nós vamos, no fundo, aproveitar que os aviões que levam a ajuda humanitária portuguesa virão vazios", referiu.
O secretário de Estado das Comunidades também deverá viajar "para se inteirar da situação no terreno", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros nas declarações aos jornalistas.
Para Paulo Rangel, a fase de ajuda que agora se inicia já não é de salvamento, mas sim de ajuda humanitária, apoio médico e psicológico, e de reconstrução das vidas das pessoas que foram afetadas pelo sismo.
"As pessoas que vão agora vão já nessa ótica de uma ajuda humanitária já de médio prazo", disse, admitindo que "na rede de médicos pode haver algum reforço, já que muitos médicos, até individualmente ou através da Ordem dos Médicos, através de várias associações, têm sinalizado alguma disponibilidade para integrarem as equipas".
Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 2.595 mortos e 12.400 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.
Entre os mortos, há pelo menos 81 portugueses e lusodescendentes, e outros 66 estão desaparecidos ou incontactáveis.
Vários países, incluindo Portugal e outros estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos está sediada em Catia la Mar, em La Guaira, zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes e uma das mais afetadas.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.






