Última Hora
Pub Dl Agendainova 20260605
Pub Dl Ipcb Cursos 20260527
Pub Dl Opticone 20260611
Pub Dl Inova Webinar 20260611
Pub

Interrogatório dos dois detidos na operação "Cash Flow" prossegue na quinta-feira

Suspeitos estão fortemente indiciados por corrupção, fraude na obtenção de subsídio, fraude fiscal e branqueamento de capitais, que lesaram Portugal e a União Europeia

Os dois detidos pela Polícia Judiciária (PJ) por alegadas burlas na obtenção de fundos do FEDER foram hoje identificados por um Juiz de Instrução Criminal e o interrogatório prossegue na quinta-feira, segundo fonte da PJ.

A Polícia Judiciária deteve na terça-feira dois suspeitos fortemente indiciados por corrupção, fraude na obtenção de subsídio, fraude fiscal e branqueamento de capitais, que lesaram Portugal e a União Europeia em cerca de sete milhões de euros, num caso que alegadamente envolve também a filha do Presidente da Guiné-Equatorial.

A ex-eurodeputada Ana Gomes saudou hoje a detenção de dois suspeitos na operação “Cash Flow” com ligações à filha do presidente da Guiné Equatorial, um caso que denunciou em 2018 junto da Comissão Europeia e da Autoridade Bancária Europeia.

A operação “Cash Flow”, a cargo da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC) e com cumprimento de mandados em vários distritos do continente, da Madeira e Espanha, levou à constituição de três arguidos, dois dos quais detidos, suspeitos de terem criado uma sociedade com o intuito de a candidatar a apoios financeiros da União Europeia (UE), adianta a PJ, em comunicado.

Segundo a Judiciária, os arguidos, indiciados pelos crimes na forma agravada, após a constituição da sociedade submeteram-na a um projeto ao Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), onde se comprometiam a criar um estabelecimento industrial para a produção de pellets (produto para aquecimento e climatização), na cidade da Guarda.

A investigação da UNCC apurou ainda que, “para levar a cabo o plano criminoso”, os suspeitos terão desenvolvido vários esquemas, nomeadamente a capitalização de uma empresa em cerca de dois milhões e quinhentos mil euros, provenientes de uma outra, sediada na Zona Franca da Madeira, uma vez que a concessão do incentivo financeiro se encontrava condicionada à apresentação de, pelo menos, 25% de capitais próprios do projeto.

Os suspeitos terão ainda, segundo a PJ, inflacionado despesas, celebrado contratos simulados e omitido a aquisição de equipamentos logísticos a uma empresa sediada num país com tributação privilegiada.

Todas estas ações visavam a apresentação de um projeto com custos acrescidos, aumentando assim as possibilidades de beneficiar de um incentivo mais elevado, porém dado a sua ilicitude, as despesas apresentadas não podiam ser consideradas elegíveis e, consequentemente, não podia ter sido atribuído o incentivo financeiro”, explica a Judiciária.

Desde a preparação da candidatura, passando pela sua submissão, foram fornecidas ao IAPMEI informações falsas, inexatas e incompletas, relativas a factos importantes para a respetiva concessão do subsídio.

No decurso da investigação foi, também, possível apurar que os suspeitos têm participações em diversas sociedades comerciais portuguesas e estrangeiras, resultando fortes indícios de que utilizam o sistema bancário para fazer circular fundos entre contas bancárias da Guiné Equatorial, Luxemburgo, Marrocos, Emirados Árabes Unidos, Espanha e Portugal, para contas bancárias destes, dos seus familiares e de empresas associadas.

A operação “Cash Flow” decorreu nos distritos de Lisboa, Porto, Guarda, Braga, Vila Real na Região Autónoma da Madeira e em Espanha e visou a execução de 24 mandados de busca, nove domiciliárias e 15 não domiciliárias, e contou com a participação de 102 inspetores, quatro peritos da Unidade de Perícia Tecnológica e Informática e cinco peritos da Unidade de Perícia Financeira e Contabilística da PJ.

O inquérito é titulado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional de Lisboa.

Dezembro 11, 2024 . 19:25

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
94 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right