
Comissão trabalha o ano inteiro para que as festas sejam de todos
É um ano inteiro sem parar, com o objetivo de angariar fundos para levar a cabo mais uma festa de Santa Eufémia com toda a qualidade que a comunidade merece. É assim todos os anos e para a edição de 2025 a comissão de festas desde cedo começou a colocar mãos à obra para que nada falte a partir de sábado, quer ao nível da qualidade dos artistas que vão estar em cima do palco, quer ao nível da qualidade dos serviços disponíveis.
“Foi um ano muito duro em que as pessoas, gratuitamente, e só pela boa vontade, desde os mais jovens aos mais velhos, trabalharam o ano inteiro para ganhar dinheiro para esta festa. Todos os fins de semana tivemos o nosso bar aberto com petiscos, mensalmente fizemos sempre um almoço, realizámos muitos jantares de aniversário, festas dos anos 80 e ‘sunsets’, fizemos um torneio interlugares de futebol e recentemente um torneio de cartas. Organizámos ainda um encontro de carros clássicos e desportivos que foi muito giro em que vieram pessoas de vários sítios do país”, contou Ana Pereira, ao dar exemplos das diversas atividades que a comissão de festas desenvolveu e que permitiu colocar de pé uma festa que representa um investimento de quase 200 mil euros.
“Começámos do zero. Às vezes somos nós que comparticipamos com alguma coisa, umas grades de cerveja ou pão. Cada um dá o que quer e o que pode, mas de resto começamos do zero, não temos ajudas de nada”, sublinhou Ana Pereira, elemento da comissão de festas, acrescentando que os organizadores andaram durante um ano a “pedir patrocínios a empresas”, tendo batido à porta de todas as casas da freguesia a pedir donativos para a festa. “É assim que conseguimos angariar fundos extra, mas grande parte da ‘massa económica’ vem do nosso trabalho anual. São fins de semana a fio a trabalhar para isto”, rematou.
Só assim foi possível chegar aos dias de hoje e apresentar um cartaz “forte”, com a presença de artistas de renome. “Queremos ser um pouco diferentes e queremos dar à população algo diferente também. Trabalhámos muito para ter um bom cartaz, com uma maior dimensão”, disse Ana Pereira, acrescentando que esta é também uma forma de atrair “pessoas de fora” a Santa Eufémia, para além de ser um ‘miminho’ para as pessoas da terra, já que “Santa Eufémia também existe”, brincou, fazendo alusão à música ‘Leiria não existe’ da artista INÊS APENAS que vai estar presente nas festas.
As festas são “algo que se sente”
Mas afinal o que têm de tão especial as festas de Santa Eufémia? Para a juíza das festas, a resposta está em algo que não se explica. “Eu costumo dizer que as festas de Santa Eufémia são algo que se sente. Eu não consigo explicar, só quem vive em Santa Eufémia é que consegue entender. É uma tradição de há muitos anos e quem nasce em Santa Eufémia sabe que estas festas são um elo de ligação aos nossos antepassados, à nossa infância, aos amigos. Faz com que estejamos unidos e cada lugar apoia o outro e é uma entreajuda muito gira de se sentir”, partilhou Ana Pereira, um dos seis elementos principais da comissão que este ano ficou a cargo do lugar das Quintas do Sirol.
A responsável não esquece ainda que as festas têm hoje o peso que têm devido ao trabalho desenvolvido durante muitos anos por Joaquim Duarte Pedrosa, um “padre visionário”, que sempre apelou à união da comunidade para umas festas de maior dimensão e significado. “Ele apelava muito às festas e dizia mesmo para as pessoas ajudarem. Ia ter com a população e ajudava muito no sentido de as festas não caírem no desuso ou no esquecimento. Não deixou a tradição cair”, recordou.
Talvez por isso mesmo as festas continuam a ter uma componente religiosa muito presente. “Temos sempre o cuidado de ter como base a parte religiosa porque foi como começou. No entanto, este ano temos a particularidade de fazer uma procissão um pouco diferente, já que, para além dos andores, este ano as crianças vão vestidas de anjinhos – isso faz-me lembrar a minha infância”, frisou.
Assim, um dos momentos altos da festa, a procissão, irá contar com um total de 14 andores, sendo que nove são das Quintas do Sirol, e depois cada lugar da freguesia terá mais um andor.
“Sinto a comunidade muito envolvida na procissão. É a altura em que as pessoas de mais idade têm gosto de ver e participar. Temos que ter atenção a este público que merece o nosso respeito porque outrora foram elas que fizeram as festas”, destacou Ana Pereira.
Em relação ao recinto das festas, vai haver serviço de restaurante, para além das habituais ‘barraquinhas’ com bifanas, tremoços, cerveja, café, bebidas não alcoólicas e quermesse, conta Ana Pereira, para além das farturas, algodão doce e pipocas, típicas de uma festa deste género onde não podem faltar os carrinhos de choque, as diversões para as crianças, o fogo de artifício e até um espetáculo surpresa no domingo.
“Temos muito prazer em receber as pessoas e divertirem- -se ao máximo porque nós trabalhamos para isso, para o público. Ver as pessoas felizes fará ficarmos com o coração cheio”, concluiu Ana Pereira, acrescentando que a meta da organização passa por ultrapassar a fasquia dos 10 mil visitantes.








