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Vereador critica grau de execução e água não faturada dos SMAS de Leiria

Vereadores da oposição votaram contra o Relatório e Contas dos serviços municipalizados de Água e Saneamento de Leiria referentes ao ano de 2024.

O vereador independente Daniel Marques criticou os SMAS de Leiria pelo baixo grau de execução do plano de investimento e o alto índice de água não faturada por parte daquele organismo.
Na reunião de câmara de terça-feira, o vereador da oposição destacou que o resultado líquido de 2,7 milhões de euros dos SMAS - Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Leiria foi conseguido pela “não execução dos bens de investimento”, recordando que o saldo previsto para investimento correspondia a 9,9 milhões de euros (ME), mas o investimento executado atingiu apenas 4,8 ME, obtendo-se um grau de execução de 48%.
“Se nós tivermos em conta o ultimo triénio, em 2022, foi 62,27%; em 2023, foi de 44, 99% e, neste último ano, 48%. Portanto, há aqui uma incapacidade de executar”, destacou Daniel Marques, acrescentando que esta situação não pode ser “escamoteada”, apontado o dedo da responsabilidade a “quem está à frente”.
O vereador independente, eleito pelo PSD, revelou ainda que a avaliação da qualidade do serviço que é auditado pela entidade reguladora aponta para indicadores “preocupantes”, como é o caso da reabilitação das condutas e a questão da água não faturada, tratando-se de “problemas sistemáticos”.
“Se nós formos a ver todos os relatórios, estes problemas são comuns ao longo de 12 anos, portanto há aqui um problema que não foi conseguido ser ultrapassado”, recordou.
Daniel Marques apontou que o volume de água não faturada é os 33,30%, enquanto a média nacional é 28,70%. “Parece que não se está a apostar nesta questão ou então a aposta não é significativa e continua a haver um escasso investimento na substituição das condutas mais antigas e mais degradadas”, frisou, adiantando que isso terá impacto nas tarifas a pagar pelos munícipes.
Destacando que o objetivo de um serviço público “não é dar lucro”, Daniel Marques apontou ainda como problemática a “falta de pessoal” nos SMAS, sendo que a mesma “é visível nos atrasos, por exemplo, às novas ligações e às intervenções que muitas vezes são iniciadas e depois prolongam-se no tempo”. “Por isto tudo o nosso voto é contra”, revelou Daniel Marques, fazendo alusão ao sentido de voto dos vereadores da oposição Álvaro Madureira e Branca Matos, relativamente ao Relatório e Constas dos SMAS de Leiria referentes ao ano de 2024, que foi aprovado pela maioria socialista.
Este sentido de voto surgiu na sequência de uma síntese feita pelo administrador delegado dos SMAS de Leiria a pedido de Daniel Marques. Na reunião do executivo, Leandro Sousa referiu que as contas dos SMAS relativamente a 2024 “mantiveram o caminho” da “sustentabilidade económica e financeira”.
Leandro Sousa enalteceu o facto de as receitas terem aumentado “cerca de 4%”, justificando o grau de execução de apenas 48% em termos de despesa paga por “alguns condicionamentos” provocados por “atrasos em obra”, nomeadamente “dificuldade de entrega de material do ponto de vista eletromecânico”, para além de fazer alusão a três processos de investimento que transitaram para 2025 por “falta de visto do Tribunal de Contas”.
“Estamos a falar de uma conduta adutora na Gândara [dos Olivais] no valor de 1,2 milhões de euros; a rede de saneamento das Figueiras [Milagres]; e do projeto de telemetria dos 5 mil contadores num investimento que ronda os 900 mil euros. A falta de visto [do Tribunal de Contas] condicionou a nossa expectativa na execução” do plano de investimento.
Relativamente à água não faturada, na ordem dos 33,30%, Leandro Sousa esclareceu que os SMAS tiveram “algumas dificuldades” no âmbito da prestação de serviços nomeadamente na pesquisa ativa de fugas o que levaram os SMAS “a rescindir contrato com a empresa porque não cumpriram com o contrato”. “Isso também condicionou um pouco aquilo que era a nossa expectativa”, explicou.
“Os resultados, do ponto de vista da sustentabilidade e do futuro, estão reforçados para garantir os desafios que vamos ter pela frente, nomeadamente a reabilitação da rede de água e o combate à água não faturada”, concluiu Leandro Sousa.|

Abril 22, 2025 . 11:00

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