Francisco
A notícia da morte de Francisco, o Papa de todos, todos, todos, chegou com o noticiário da manhã quando já não esperávamos, depois de semanas de internamento hospitalar, quando a notícia era mais esperada. Foi uma manhã de tristeza para crentes e não crentes de todo o mundo, tristeza pelo desaparecimento de um Papa que a todos faz falta. Um ser humano que na sua passagem pela vida tocou a todos, primeiro como homem simples sem os atavios da grandeza Papal, o homem que sabia falar a todos, desde os mais deserdados de entre os deserdados, como aos grandes poderes do mundo e com a mesma linguagem simples, facilmente compreensível, por vezes dolorida, outras vezes critica, mas sempre acertada com o tempo e o momento.
Como não crente, sempre vi o jesuíta Francisco principalmente como um sábio, com o poder de nos orientar por entre as dúvidas e os juízos que fazemos sobre as coisas da vida. O comentador em que se podia confiar nos temas da paz e das guerras, dos homens bons e dos facínoras, com o julgamento sempre acertado, ajustado, ou irónico, de riso aberto, porque nem sempre da tristeza se faz a vida. Vi a sua vinda a Portugal como um ponto alto da minha estranha e terrena devoção por um Papa, devoção que não era da igreja, mas da terra.
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