Última Hora

A Outra Face da Tolerância - Tolerância ou Submissão?

Maio 21, 2025 . 18:00
Opinião: "Não podemos ser cúmplices da destruição daquilo que demorámos séculos a construir: uma sociedade livre, plural, justa. Continuar a acolher? Sim. Mas com regras claras".

A Europa sempre se orgulhou da sua abertura, da sua capacidade de acolhimento, da sua tolerância cultural e religiosa. Portugal não é exceção. Somos, por natureza, hospitaleiros. Gostamos de receber bem. Somos convidados a acolher, respeitar e integrar todos os que chegam de outras paragens, muitas vezes em busca de uma vida melhor. E isso é justo, é humano, é cristão. Mas quando é que a tolerância se transforma em submissão?
Nos últimos anos, temos assistido a um aumento significativo de imigração, particularmente oriunda de países de maioria muçulmana. Até aqui, nada contra. Mas é legítimo questionar: que impacto terá, a médio prazo, esta mudança demográfica?
A diversidade pode enriquecer uma sociedade, sim. Mas deve também levantar questões — sobretudo quando não vem acompanhada de um esforço real de integração. E quando essa ausência começa a comprometer os valores que nos definem enquanto povo e continente.
Em Portugal, o discurso é ainda de inclusão e respeito. E que assim continue. Mas não podemos ser ingénuos. As mesquitas multiplicam- -se, algumas com apoio externo. Há propostas para adquirir edifícios públicos com esse fim. Muitos destes grupos trazem não só uma religião, mas também uma cultura e leis que nem sempre se compatibilizam com os valores europeus.
França, Bélgica, Suécia, Reino Unido… os exemplos sucedem-se. Há bairros onde a polícia evita entrar. Existem tribunais paralelos que aplicam a sharia. Há zonas onde a cultura europeia foi substituída por normas que nada têm de democráticas. Em algumas cidades, já há autarcas muçulmanos, eleitos legitimamente. E se daqui a 30 anos forem maioria? Como se manterá a liberdade religiosa, a igualdade de género, os direitos civis?
Falo da igualdade de género, sim, mas não apenas entre homem e mulher. Falo também do respeito pelas escolhas individuais. Eu, pessoalmente, sou contra o homossexualismo — não por ódio, nem preconceito, mas por convicção. No entanto, respeito e defendo o direito de cada um viver como entende. Os meus princípios não me permitem discriminar. Mas será que essa mesma tolerância existe do outro lado?
Em Lisboa, discutiu-se a instalação de novas mesquitas. Em nome da liberdade religiosa, tudo bem. Mas imaginemos o inverso: igrejas cristãs financiadas por países europeus em capitais muçulmanas. Seria aceite? A reciprocidade é quase nula. E nós, europeus, entre o receio de parecer intolerantes e o desejo de acolher, vamos cedendo — mesmo quando os nossos valores estão em causa.
“Ao que te bater numa face, oferece-lhe também a outra.” Um princípio poderoso. Mas não é apelo à passividade. Não é convite à rendição. “Dar a outra face” é não responder com violência — é escolher o caminho da paz. Mas não é abrir mão dos nossos valores, da nossa identidade, da nossa liberdade. Não é permitir que o acolhimento se transforme em rendição.
Não podemos ser cúmplices da destruição daquilo que demorámos séculos a construir: uma sociedade livre, plural, justa. Continuar a acolher? Sim. Mas com regras claras. Com exigência de respeito mútuo. Com firmeza. Com lucidez. Porque quem não respeita os valores da casa onde entra, não pode um dia mandar nela.
Mas isto sou eu.

Maio 21, 2025 . 18:00

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
94 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right