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Opinião

Os partidos de marca branca e o crescimento dos extremismos

Maio 22, 2025 . 12:30
Opinião: “A culpa deste latente perigo democrático em primeira instância é de quem vota, mas também de quem se sujeita a ir a votos e entra num processo de total indefinição. Está na altura de evitar os discursos e propostas neutras e de marca branca. Precisamos de saber quem são os candidatos, os seus valores e prioridades”.

De uma forma simplista, os cidadãos têm contacto com o sistema político por duas grandes vias. Nacionalmente pelo que vão recebendo pelos meios de comunicação, hoje em grande parte substituídos pelas redes sociais e suas distorções. Por outro lado, pelo contacto que têm com os eleitos nas autarquias locais. As pessoas tendem a saber quem são os presidentes de junta, talvez alguns vereadores e até mesmo os presidentes de câmara.
Se na esfera nacional conseguimos ver alguns vislumbres do que significam as diferenças entre direita e esquerda, os conservadores e os liberais, hoje isso tende a alguma dissipação mesmo num ambiente de extremismos. Os partidos do centro estão cada vez mais esbatidos, ficando o critério dependente da personalização mais ou menos fútil dos seus líderes. O esforço em agradar ao máximo de eleitorado tende a esbater as prioridades e marcos ideológicos. Por vezes as diferenças são ténues e alimentam perigosamente a ideia de que é tudo igual.
Na esfera política local, aquela que provavelmente mais se relaciona com o quotidiano dos cidadãos, as diferenças são ainda menores. Vemos candidatos a saltitar de partido em partido e uma apologia aos políticos independentes que pouco ajudam a clarificar as políticas. Invoca-se o princípio de que se votam nas pessoas, mas isso traz problemas como temos visto. Há pessoas com todo o tipo de intenções. Obviamente que se votam nas pessoas, mas votamos no pacote completo, nas suas ideias e modo de estar na vida pública, pois são indissociáveis. Precisamos de saber quem são, quais os seus princípios políticos basilares e quais as propostas.
O que me preocupa é que deste contexto de políticos de marcas brancas e mediocridade, de independências enganadamente isentas, estejamos a criar condições para que a democracia fique em perigo. Quando todos parecem iguais passamos a mensagem de que pouco importa em quem se vota. Passa a ser aceitável votar naqueles que atacam os princípios básicos da democracia, da informação e da liberdade. Os cidadãos são levados a pensar que não existem consequências do puro voto de protesto e da onda de bizarrias. No fundo caem no erro de tratar todos por igual porque o sistema político se tem suportado nisso. O perigo é real. Quando quisermos mudar pode ser demasiado tarde. O passado já nos ensinou que isso é possível. Precisamos de definição para que possamos aspirar a uma governação mais democrática e colaborativa, focada nas diferenças e em encontrar pontos de sinergia e de concordância. Eles existem, mas precisam de processos centrados nas pessoas e nos conteúdos políticos.
Por isso a culpa deste latente perigo democrático em primeira instância é de quem vota, mas também de quem se sujeita a ir a votos e entra num processo de total indefinição. Está na altura de evitar os discursos e propostas neutras e de marca branca. Precisamos de saber quem são os candidatos, os seus valores e prioridades. Ser do partido da terra não quer dizer nada. E esta terra deve ser de todos nós, uma coisa que desagrada aos extremistas.

Maio 22, 2025 . 12:30

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