
Perfil do nadador-salvador deve mudar e serem criadas associações
A Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores (FEPONS) considera essencial a mudança de perfil do nadador-salvador, a revisão da carreira profissional e a criação de associações sem fins lucrativos para prevenir o afogamento e valorizar o papel desta atividade.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores (FEPONS), Alexandre Tadeia, lembrou a dificuldade, anualmente repetida, no recrutamento de profissionais para a época balnear, tendo em conta o perfil do nadador-salvador e que é de “estudante universitário”.
A situação atual é de “uma grande falta de nadadores-salvadores portugueses. Não necessariamente do ponto de vista da certificação, porque temos cinco mil e tal pessoas certificadas para isso em Portugal, o problema não está aí, o problema está na disponibilidade das pessoas (…), porque a maior parte são estudantes”, explicou.
Como o curso de nadador-salvador obriga a que se tenha mais de 18 anos, Alexandre Tadeia lembrou que quem está mais disponível para trabalhar sazonalmente no verão são os estudantes, e os maiores de idade são estudantes universitários, que só estão disponíveis, devido aos exames académicos, “já a época balnear teve início”.
“Este é o perfil de nadador-salvador”, reconheceu o responsável, alertando para a necessidade de mudança e adiantando ter sido já entregue aos grupos parlamentares, na anterior legislatura, um manifesto com várias medidas para a valorização dos nadadores-salvadores.
Entre as medidas propostas para a mudança de perfil constam os incentivos fiscais e sociais aos estudantes, bem como a revisão da carreira profissional, nomeadamente a criação de uma carreira especial de nadador-salvador na função pública.
Alexandre Tadeia insistiu ainda na necessidade de haver nadadores-salvadores o ano inteiro na vigilância das praias, o que já acontece nas piscinas, e, com a formação de profissionais, a possibilidade de haver “um grupo maior de pessoas que pudesse também evitar o flagelo que é a morte nas praias fora da época balnear”.
Desta forma, considerou, poder-se-ia recorrer menos aos nadadores-salvadores estrangeiros, sobretudo brasileiros e argentinos, que atualmente são contratados logo no início da época balnear.
“Nesta altura do ano, qualquer brasileiro, qualquer argentino que em Portugal tenha o curso e queira trabalhar como nadador-salvador está contratado, não há dúvidas. Portanto, os incentivos, por um lado, a questão da vigilância o ano inteiro, por outro”, seriam as primeiras respostas para a resolução do problema, avançou.
Alexandre Tadeia alertou também, na questão da contratação, para a existência de “um empurrar das autarquias para os concessionários”, embora desde 2018 sejam as autarquias as responsáveis pela assistência aos banhitas.
O presidente da Fepons alertou também para o facto de os jovens serem aliciados com um ordenado de cerca de 1.500 euros a recibos verdes, um verão inteiro, 60 horas por semana.







