
Movimento recolhe 48 toneladas de lixo das praias em seis anos
Chama-se Ricardo Machado, tem 41 anos, é da Marinha Grande, e há seis que percorre quilómetros ao longo da costa com o objetivo de apanhar lixo das praias. Pelo caminho, tem conseguido mobilizar a sociedade civil e mesmo algumas entidades, instituições e escolas para esta causa.
A “grande conexão” entre Ricardo e a região, o país e o planeta terra, e o facto de ser um ativista convicto e fotógrafo, levou-o a ocupar os tempos livres a apanhar tudo o que dá à costa, ou o que fica abandonado por quem frequenta a zona. O movimento cívico ‘One Piece After Another’ começou em 2019. Desde então, as suas ‘investidas’ às praias permitiram recolher mais de 48 toneladas de resíduos, contando para esta missão com sete mil voluntários e mais de dois mil alunos, “sensibilizados, e com espaço para crescer”, acredita o voluntário.
Em média, Ricardo Machado conta com o apoio de uma média “muito boa” de 40 voluntários, que palmilham as praias de saco na mão, chapéu na cabeça, e olhos na areia, surpreendidos por encontrar, entre tantas dezenas de resíduos, cápsulas de café ou cotonetes, estes últimos que “continuam a ser atirados na sanita”.
“Moda recente”, conta Ricardo Machado ao nosso jornal, são os “muitos toalhetes” que se encontram entre o lixo apanhado, a que se juntam molas de roupa e os aplicadores de tampão. Ainda assim, é o lixo proveniente das pescas que mais concentra as atenções. Porque “a população aumenta, a demanda aumenta e os materiais perdidos também”, analisa Ricardo Machado.
O plástico assume quase a totalidade dos itens que os voluntários recolhem. “Diria que noventa por cento é material plástico, mas também recolhemos algum vidro e metal mas em pequenas quantidades”, enumera, reconhecendo que ao longo dos seis anos de ações de voluntariado “o lixo tem aumentado”, sobretudo “devido ao mau descarte do lixo e também ao aumento do consumo do descartável devido ao crescimento populacional”.
Ricardo Machado não esmorece, mas admite um sentimento “agridoce”. “Por um lado saímos felizes por estar a fazer algo bom pela natureza, por outro, saímos também frustrados, pois é uma luta sem fim”, reconhece o voluntário, apelando à urgência de “recusar e reduzir”. “E também reciclar muito mais”, acrescenta. “É preferível empilhar o lixo para transformar em novos produtos do que deixar abandonado num aterro, ou pior, na natureza”.
Paralelamente a esta forma de pensar o planeta, o caminho na sensibilização também tem de continuar a ser trilhado, a começar pelos mais pequenos.
“Quando comecei o movimento cívico, o intuito era chegar a toda a comunidade, mas principalmente à escolar. As crianças são agentes de mudança, mudam os pais, os avós e todos à sua volta. As escolas estão muito sensibilizadas nesta área, mas penso que tem de ser um trabalho contínuo junto de todas as idades e também junto dos adultos”, afirma Ricardo Machado.








