A Vida Depois do Parto
Dentro do ventre de uma mãe, dois bebés conversavam. Um deles, curioso e sonhador, perguntou ao outro:
— Acreditas que existe vida depois do parto?
O outro, mais cético, respondeu prontamente:
— Claro que não. Isto aqui é tudo o que existe. Estamos bem, quentinhos, alimentados… O cordão umbilical dá-nos tudo. Que mais poderíamos precisar?
Mas o primeiro insistiu:
— Talvez estejamos apenas a preparar-nos para algo maior. Talvez, depois do parto, possamos usar as pernas para andar, a boca para comer, os olhos para ver a luz de verdade.
O cético riu-se:
— Luz? Andar? Comer com a boca? Tudo isso é fantasia. Aqui está tudo o que conhecemos. Não há mais nada. Isto é o fim.
— Mas... e se for o começo? — contrapôs o primeiro. — Talvez lá fora exista algo — ou alguém — que nos ama e nos espera.
O silêncio instalou-se. E, após um instante, o cético atirou:
— E se há mesmo algo depois, por que é que ninguém voltou para contar?
O outro sorriu:
— Talvez porque, depois do parto, tudo mude tanto que nem se consiga voltar. Talvez a vida de lá seja tão diferente que este lugar nem faça sentido depois disso.
E, com um brilho de esperança, acrescentou:
— Eu acredito que há uma mamã. Que ela nos envolve, mesmo que não a vejamos. Que tudo isto, este lugar onde estamos, é só o início. A antecâmara de algo muito maior.
O cético, irritado, reagiu:
— Mamã? Não a vejo. Não a ouço. Se existisse mesmo, saberíamos. Isso é só uma ideia para confortar.
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