Sousa Lopes, o pintor-poeta, regressa a Leiria
O Museu de Leiria inaugurou a exposição “Adriano de Sousa Lopes: o pintor-poeta” com cerca de 100 obras do artista leiriense Adriano de Sousa Lopes (1879–1944) que será possível visitar ou revisitar até dezembro de 2026.
Embora em 2023 tenha sido organizada uma exposição na caixa-forte do edifício do antigo Banco de Portugal (BAG – Banco das Artes Galeria), intitulada “Sousa Lopes – o pintor das trincheiras”, com as obras relacionadas com a Primeira Guerra Mundial e inserida nas comemorações do centenário do núcleo de Leiria da Liga dos Combatentes, a atual exposição era mais do que merecida e esperada. A dignidade da mesma é um elogio ao talento de Sousa Lopes, pintor de referência da primeira metade do século XX.
Com obras cedidas por várias instituições, museus e particulares, a exposição tem como promotor o Município de Leiria, através do Museu de Leiria, na qual está explanada a obra artística de Sousa Lopes que permite conhecer o seu abeiramento ao impressionismo através de retratos (“A Blusa Azul”, 1927, Óleo sobre tela, é um dos exemplos patente na exposição), paisagens, naturezas mortas e nacos da história. Contudo, a sua passagem por Paris influenciou-o na procura constante pelo requinte que o lograsse e definisse como artista diferenciado, com influências dos pintores franceses Dominique Ingres (1780-1867) e Gustave Moreau (1836-1898) que também o levaram pela procura do simbolismo temático, como salientou Raquel Henriques da Silva, no seu trabalho “Adriano Sousa Lopes”, in “Museu do Chiado: Arte Portuguesa 1850-1950” (Instituto Português de Museus, 1994, p. 183), havendo como exemplos as obras “Ondinas” (1908), “Caçador de águias” (1905) ou mesmo “Efeito de Luz” (1914), patentes no Museu de Leiria.
Sousa Lopes nasceu no dia 13 de fevereiro de 1879, no Vidigal. Foi um dos mais destacados pintores oriundos da Academia de Belas Artes (Lisboa) e da École Nationale des Beaux-Arts (Paris). Patenteou, por diversas vezes, as suas obras no “Salão de Outono” (“Salon d’Automne”), na cidade Luz e fez a sua primeira exposição individual na Sociedade Nacional de Belas Artes (Lisboa), em 1917, ano em que esteve na Primeira Guerra Mundial como artista oficial do Corpo Expedicionário Português, (França).
No ano seguinte instalou-se nos arredores de Versailles e fez esboços sobre a Grande Guerra, como “Os Very-Lights” (água-forte e água-tinta sobre papel, 1918), obra icónica e representativa da sua passagem pela linha de fogo das trincheiras, que está em destaque na exposição e no panfleto explicativo e promocional.
Adriano de Sousa Lopes, em 1919, foi agraciado com o Grau de Cavaleiro da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e em 1923 expôs em Paris. Viajou pela Europa e Norte de África e na década de 20 assumiu a direção do Museu Nacional de Arte Contemporânea (Lisboa). Deixou uma obra ímpar.
Todavia, o realce da sua obra é dado, em grande parte, aos desenhos, gravações e águas-fortes que retratam cenas militares em âmbito de guerra nas quais emergem as trincheiras como palco da sua arte, mas a sua obra e muito mais.
Entre as imensas obras, Sousa Lopes é o autor do projeto (1944) das sete pinturas parietais patentes no Salão Nobre da Assembleia da República com a temática laudativa aos descobrimentos portugueses da Exposição do Mundo Português, de 1940. Com influência da pintura italiana, acabou por pintar apenas uma das sete obras, no ano em que faleceu (21 de abril de 1944) – “Infante D. Henrique” – tendo as restantes sido pintadas entre 1944 e 1945, obedecendo ao projeto inicial, pelos pintores Domingos Rebelo (1891-1975), açoriano, e Joaquim Rebocho (1912-2003), algarvio.





