
Concelho de Leiria poderá receber terceira unidade de produção de biometano
O concelho de Leiria poderá vir a contar com uma terceira unidade de produção de biometano, juntando-se às duas já anunciadas e atualmente em fase de desenvolvimento. O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara, Gonçalo Lopes, na reunião da autarquia que decorreu na terça-feira, em resposta ao vereador independente, Álvaro Madureira, que questionou o executivo sobre os avanços registados na melhoria no caudal e do rio Lis durante os últimos quatro anos.
De recordar que o biometano é considerado uma das soluções fundamentais para o problema dos efluentes agrícolas no concelho e da poluição da bacia hidrográfica do rio Lis, já que permite a transformação destes resíduos, de forma ambientalmente eficaz e natural, em gases renováveis, que poderão ser utilizados na rede de abastecimento concelhia.
Em declarações ao nosso jornal, o vereador que tem, entre outros, o pelouro do Ambiente, Luís Lopes, confirmou que já foram realizadas duas reuniões com a empresa interessada, que atua no setor das energias renováveis e com ligações a Espanha.
Segundo o vereador, a empresa manifestou interesse em avançar com o projeto, nomeadamente em relação “ao sítio onde quer instalar” a nova unidade. “Há efetivamente essa vontade. Têm financiamento, já iniciaram alguns contactos para aquisição de terrenos, mas ainda é cedo, porque ainda não firmaram absolutamente nada”, salientou.
Durante a reunião de Câmara, Luís Lopes destacou ainda uma melhoria “gradual” dos indicadores da água do rio Lis e Lena, nomeadamente ao nível dos Enterococos, E. coli, e nitratos, que segundo referiu, “têm servido para identificar quais são os pontos mais críticos”.
Luís Lopes apontou o reforço da fiscalização de práticas incorretas como fatores decisivos para a melhoria da qualidade das águas dos rios Lis e Lena, sublinhando a crescente valorização agrícola como uma consequência positiva.
O autarca salientou ainda que “o biometano tem sido apontado como uma solução importantíssima para o tratamento de efluentes agropecuários que está a seguir o seu caminho, não com a rapidez que a Câmara gostaria”.
Em Leiria, está prevista a construção de outras duas unidades de produção de biometano com um investimento total de 50 milhões de euros, com o objetivo de valorizar resíduos agropecuários. Uma dessas unidades, desenvolvida pela Genia Bioenergy, utilizará efluentes suinícolas e avícolas para produzir biometano, água e fertilizantes.
A outra unidade, também em desenvolvimento, terá como foco o tratamento de efluentes de suínos e aves.
Depois do vereador Álvaro Madureira ter questionado a autarquia sobre a resolução do “esgoto a céu aberto” referindo-se à ribeira do Amparo, localizada na Quinta da Matinha, Luís Lopes deu nota de que o município tem vindo a realizar o diagnóstico de toda a extensão da ribeira, adiantando contudo que ainda não foi possível iniciar as intervenções previstas “consideradas prioritárias”.
“A Ribeira do Amparo tem zonas de muito difícil acesso e que nos obriga a equacionarem soluções mais simples e praticas de intervenção. O trabalho de fiscalização é extremamente difícil”, lamentou.








