
Educação financeira para crianças: como ensinar os mais novos a poupar e gerir dinheiro
Porque é importante ensinar finanças desde cedo?
O dinheiro é o mediador, por excelência, das relações comerciais em sociedade e, por isso, será uma presença constante ao longo de toda a nossa vida.
Pelo impacto que tem, quanto mais cedo forem incutidos princípios orientadores de gestão e poupança, melhor será a relação do futuro adulto com as suas finanças pessoais, evitando situações de, por exemplo, sobre-endividamento; esta última questão, contudo, é apenas a ponta do icebergue.
Dentro da literacia financeira, encontram-se conceitos e ferramentas que permitirão a uma criança compreender o mundo em comunidade e estar mais apta a, posteriormente, conseguir preencher uma declaração de IRS, perceber onde deve ou não investir o seu dinheiro, saber como funciona um crédito ou que podem ser utilizados simuladores online, como o caso de um simulador de crédito consolidado, só para sublinharmos algumas aplicações deste conhecimento.
Conceitos simples para explicar dinheiro às crianças
No ensino da literacia financeira para crianças, a simplicidade é um ponto-chave.
Neste sentido, conceitos como os de troca e de valor devem ser os primeiros a serem ensinados através de, por exemplo, uma breve explicação sobre a história das trocas comerciais humanas.
Explique que, em “tempos idos”, não existiam notas ou moedas como as conhecemos hoje e, caso alguém precisasse de uma galinha para fazer o almoço, teria de oferecer algo em troca ao seu vizinho.
Se as pequenas trocas eram bastante mais simples, as permutas de larga escala (em que os bens poderiam ser pedras de qualidade para construir um palácio ou uma estrada) eram consideravelmente mais complexas, tendo sido esse o motivo para se decidir dar valor a pequenos objetos e transformá-los em símbolos monetários. Com o passar dos anos, este sistema foi-se aperfeiçoando, resultando na criação de dinheiro.
No fundo, o dinheiro serve de moeda de troca por algo que queremos ou de que necessitamos.
Contudo, para que as crianças percebam de onde vem o dinheiro que lhes dá os brinquedos com que se divertem e a roupa que vestem, é fundamental introduzir um outro conceito – o de venda de horas de trabalho por pagamentos.
Como ganhar dinheiro implica esforço, esta é a altura ideal para referir questões como a poupança e a gestão, dois elementos que podem ser mais facilmente assimiláveis à noção de mesada.
A mesada como ferramenta de aprendizagem
A mesada é aquilo que podemos considerar como sendo o primeiro momento de autonomia dos mais novos, já que se verão a braços com algum dinheiro para gastar e, se possível, poupar.
De forma a estimular a boa gestão e a poupança deste dinheiro, é importante explicar às crianças o que são compras essenciais e o que são compras supérfluas.
Caso o dinheiro que lhes entregar se destine, por exemplo, à compra do lanche na escola ou ao pagamento do passe, convém explicar que estas são compras essenciais, ao passo que o desejo por um chocolate é uma compra supérflua que fará com que a criança fique sem uma parte da mesada que poderia ser aproveitada para adquirir algo de verdadeiramente necessário como, por exemplo, uma peça de roupa.
Para estimular a poupança, as crianças devem ter uma meta que lhes “fale ao coração”, como seja a compra de uma bicicleta ou de uma consola. Assim, faça contas com eles ao que precisam de poupar para poderem pagar o que desejam comprar e ajude-os a monitorizar os gastos mensais e o que vão colocando de lado.
Como adaptar o ensino financeiro a diferentes idades
Oferecer um ensino de literacia financeira de qualidade às crianças/jovens passa por adaptar o conteúdo ensinado aos diferentes estádios de desenvolvimento cognitivo.
Neste sentido, tome nota dos tópicos que deve desenvolver com os seus filhos em diferentes faixas etárias:
Dos 6 aos 9 anos
Nesta altura, devem ser introduzidos os conceitos de troca, valor, dinheiro e poupança. O que é e para que serve a poupança, quais as diferenças entre necessidade e desejo e como se ganha dinheiro são alguns dos temas que pode e deve procurar ensinar aos seus filhos.
Dos 10 aos 14 anos
Como, nestas idades, a pressão social dos pares começa a fazer-se sentir com maior intensidade, esta é a altura ideal para reforçar a diferença entre supérfluo e necessário e dar-lhes uma maior autonomia na gestão da mesada, estipulando, para tal, que esta deve ser suficiente para as necessidades (mais poupança) de todo um mês.
Para ajudá-los nesta tarefa de gestão, ensine-os a criar um orçamento, incentive-os a encontrar formas de alimentar a mesada (venda de roupas ou brinquedos que já não utilizam, por exemplo) e envolva-os no processo de abertura de uma conta-poupança em seu nome.
Dos 15 aos 18 anos
Às portas da idade adulta, é tempo de entrar em terrenos mais complexos, como é o caso da contratação de créditos, utilização de cartões e até sobre o próprio mercado financeiro.
Além disto, nesta faixa etária, a poupança e o investimento devem andar de mãos dadas porque, no fim de contas, é aqui que começa a surgir a vontade de tirar a carta de condução e comprar um carro ou de perceber onde obter dinheiro para pagar a propina da faculdade.








