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Alta Velocidade em Leiria: tempo de planear para preparar o futuro

Julho 31, 2025 . 17:30
Opinião: “Leiria e a região conecta-se assim à capital, ao país, a Espanha e até ao resto da Europa de uma nova forma. As boas oportunidades são imensas, mas nada disto está imune a efeitos negativos, tal como congestionamentos, aumento dos preços, gentrificação, destruição de zonas verdes que serviam de enquadramento e proteção, quiçá até crescimento de alguma insegurança”.

Recentemente, foi divulgado pelo Município de Leiria, que a declaração de impacto ambiental identificou o traçado defendido pelo próprio município como o mais favorável. Fui acompanhando este processo e quero dar os parabéns aos responsáveis do município pelo envolvimento ativo e trabalho do sentido de propor uma solução melhor. Estes processos não são simples, e foi preciso mobilizar energias para propor alternativas que pudessem minimizar efeitos negativos nas populações. Ainda assim, vão sempre existir.
O atual presidente e o vereador Luís Lopes conduziram este processo com dedicação e competência. A situação não era fácil. O processo participativo organizado pelas Infraestruturas de Portugal (IP) foi pobre. Assisti às sessões de esclarecimento e vi como as reuniões foram conduzidas. O Município realizou várias sessões para colmatar as lacunas do suposto processo de participação, que pouco mais era que um portal online para recolher contributos genéricos. Foram palcos difíceis, no limitar da explosão, que só reconhece quem já realizou e andou por estas andanças, onde é preciso fazer a ponte entre a linguagem técnica e os justificados receios das populações. Mas tudo correu bem, tendo em conta as limitações existentes. Parabenizei o vereador diretamente, e acho que merece este reconhecimento público também. Depois de reconhecer a dificuldade deste caso da Alta-velocidade (TGV), espero que os futuros projetos e instrumentos de planeamento que o município conduza se inspirem neste primeiro passo e possam seguir por processos ainda mais detalhados, completos e interativos com os agentes e populações, suportados pelo devido enquadramento técnico.
Ultrapassada esta etapa, surge um trabalho épico adicional. Um projeto como a Alta-Velocidade vai ter um impacto regional. Vai mudar a freguesia da Barosa e pode muito bem ajudar a consolidar o eixo urbano Leiria-Marinha Grande. Para além dos investimentos públicos estatais e municipais, o projeto vai alavancar muito investimento privado. Vai criar distorções, novas necessidades, sobrecarregar infraestruturas, mudar a vida dos residentes e criar novas oportunidades até agora impensáveis. Leiria e a região conecta-se assim à capital, ao país, a Espanha e até ao resto da Europa de uma nova forma. As boas oportunidades são imensas, mas nada disto está imune a efeitos negativos, tal como congestionamentos, aumento dos preços, gentrificação, destruição de zonas verdes que serviam de enquadramento e proteção, quiçá até crescimento de alguma insegurança.
Estamos então no momento certo para planear para esta nova realidade. Na minha opinião, de alguém que trabalha nestes projetos estratégicos e implementa processos de planeamento colaborativo, espero que Leiria aproveite a oportunidade. Poderá ser a forma de assumir o papel de centralidade regional, mais um motor do desenvolvimento regional e local. Mas isso deve incluir consensos, múltiplas visões, possibilidades e previsão dos seus impactes. Espero que os vários partidos e candidatos assumam isto como algo estratégico. Independentemente de quem o liderar, este tipo de processo deve gerar o máximo de abrangência, ser realizado com tempo e recursos adequados para evitar precipitações. Este é o momento e o tempo de planear, incluído todos.

Julho 31, 2025 . 17:30

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