
Voluntários retiraram “milhares de peixes mortos” do rio Lis
Dezenas de voluntários arregaçaram as mangas no passado sábado para remover “milhares de peixes mortos”, na confluência da Ribeira da Carreira com o Rio Lis, na sequência de descarga de efluentes não tratados, provocada pela avaria na estação elevatória de Monte Real da empresa estatal Águas do Centro Litoral.
Esta ação resultou de uma operação coordenada entre a Câmara Municipal de Leiria, a União das Freguesias de Monte Redondo e Carreira e a Junta de Freguesia de Vieira de Leiria, visando reduzir o impacto deste crime ambiental que “devastou a fauna do rio e expôs, mais uma vez, as fragilidades do sistema”, salientou o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, que também acompanhou a iniciativa.
“Infelizmente, tiveram de ser as autarquias locais com o apoio da população a avançar com esta intervenção urgente para impedir que os peixes em decomposição continuassem a contaminar a água e chegassem ao mar e à Praia da Vieira, agravando ainda mais os prejuízos ambientais, económicos e sociais já em curso”, adiantou o autarca numa publicação partilhada no Facebook, exigindo ainda que a Águas do Centro Litoral “assuma uma atitude proativa com sentido de urgência, assumido a sua responsabilidade perante o sucedido”.
Gonçalo Lopes adiantou à Agência Lusa que atualmente há um "problema ambiental muito grave nesse troço do rio”, acrescentando que é uma zona de pesca que “atualmente não tem peixe absolutamente nenhum”.
O autarca defendeu que é necessário fazer uma operação de limpeza à superfície, “mas sobretudo nos solos que poderão estar contaminados no leito do rio”, sublinhando que “este tipo de trabalho tem de ser planeado” e terá de haver um plano de investimentos nesta área “pelo responsável pelo crime ambiental, neste caso a AdClL [empresa Águas de Centro Litoral]”.
Gonçalo Lopes indicou que, na terça-feira, haverá uma reunião entre elementos do Governo, dos municípios e a AdCL “para começar a delinear as ações de curto prazo e de médio prazo”.
“O que nós exigimos é que haja uma intervenção que reponha aquilo que é o prejuízo ambiental. A população está extremamente indignada com o que aconteceu e, sobretudo, naqueles momentos a seguir à reposição do sistema muito pouco tem sido feito”, lamentou.
A retirada de peixes, por exemplo, deveria ter sido assumida pela empresa, considerou o presidente da Câmara de Leiria, apontando que a ação de sábado visou a retirada à superfície, mas é expectável que existam mais peixes mortos no fundo do mar e junto às margens, referiu.
“Essa intervenção exige um envolvimento de meios que as autarquias não têm, nomeadamente barcos, maquinaria. Terá de ser a empresa a fazer essa intervenção, recorrendo aos serviços especializados”, reforçou.
Na quarta-feira, a GNR indicou que estava a investigar a poluição no rio Lis após a avaria na estação elevatória que obrigou a descargas de efluentes.
Na ocasião, o capitão Daniel Matos, do Comando Territorial de Leiria da Guarda Nacional Republicana, disse à Lusa que “esta situação tem grave impacto na fauna e flora locais”, havendo já “evidências desse impacto com fauna morta, sobretudo peixes”.
No mesmo dia, a empresa pública Águas de Centro Litoral (AdCL) divulgou que a estação de Monte Real (Leiria), que eleva efluente para a estação de tratamento de águas residuais do Coimbrão, “encontra-se temporariamente inoperacional devido a uma avaria nas bombas que compõem o sistema de elevação”.
Face à inoperacionalidade da estação elevatória, “foi acionado o sistema de descarga de emergência da estação, bem como da estação elevatória a montante (Serra de Porto do Urso)”, informou a AdCL, adiantando ainda que “estas descargas ocorrem, respetivamente, no rio Lis e numa vala de rega adjacente”.
A empresa garantiu na altura que estavam “a ser tomadas todas as medidas necessárias para resolver esta ocorrência, com a maior celeridade possível”.
A situação levou à interdição de banhos na Praia da Vieira, concelho da Marinha Grande, onde desagua o rio Lis, e o município de Leiria desaconselhou atividades no troço do rio Lis a jusante de Monte Real, incluindo captações para rega, banhos e pesca.
Nas declarações de hoje, o presidente da Câmara de Leiria indicou que no sábado a praia já se encontrava aberta, mas alertou que “o rio continua poluído e se existir uma mudança de maré é natural que isso se reflita na Praia da Vieira”.
“Por isso é que é importante também proceder a intervenções como esta, porque se existir uma maré em que o rio chegue à praia não só polui, como vai arrastar muitos dos peixes mortos, que significa também uma imagem que vai afetar muito o turismo”, salientou.
Na quarta-feira, a Águas do Centro Litoral (AdCL) divulgou que a estação de Monte Real, que eleva efluente para a estação de tratamento de águas residuais do Coimbrão, estava “temporariamente inoperacional devido a uma avaria nas bombas que compõem o sistema de elevação”.
De acordo com a empresa, “foi acionado o sistema de descarga de emergência da estação, bem como da estação elevatória a montante (Serra de Porto do Urso)”, e as descargas ocorreram, “respetivamente, no rio Lis e numa vala de rega adjacente”.
Esta situação levou à interdição de banhos na Praia da Vieira, na Marinha Grande, onde desagua o rio Lis, e o Município de Leiria desaconselhou atividades no troço do rio Lis a jusante de Monte Real, como captações para rega, banhos e pesca.












