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The Gift regressam a “casa” para celebrar trinta anos de carreira

Para os The Gift, Alcobaça nunca foi apenas o ponto de partida da sua carreira. Continua a ser casa, inspiração e orgulho. Trinta anos depois do início da carreira, a banda regressa onde tudo começou para, na Feira de São Bernardo, protagonizar um concerto memorável, repleto de surpresas e preparado para percorrer as músicas que marcaram e continuam a marcar gerações. Espetáculo está agendado para hoje, às 22h00.

O que representa para os The Gift voltar a atuar na Feira de São Bernardo, em Alcobaça, três décadas depois de terem começado a carreira precisamente nesta terra?

Mais do que o começo é saber que o apoio de Alcobaça não serviu apenas para o arranque. Alcobaça sempre foi inspiração, emoção. Perceber que o orgulho que temos em ser de Alcobaça é recíproco por parte dos alcobacenses. Será uma celebração dos 30 anos, mas sobretudo uma homenagem e agradecimento nosso em forma de um grande concerto.

Este concerto tem um sabor especial por se realizar em ‘casa’? Há alguma emoção diferente em palco quando se toca para um público que vos viu crescer?

Felizmente tocámos em grandes palcos por esse mundo fora. As primeiras datas em grandes cidades europeias e mundiais foram de facto datas especiais, por isso estamos habituados a ter essa ‘boa pressão’, essa boa emoção. Voltar ao centro da nossa cidade e celebrar 30 anos de música é de facto especial. Será uma grande noite.

De que forma a vossa ligação a Alcobaça moldou o vosso percurso musical?

Todos os valores da cidade, da educação que crescer nestas ruas significa para nós. É a nossa casa. Não seríamos a banda que somos se não fossemos de Alcobaça.
Para além da cidade em si é a sorte que tivemos de crescer junto a uma geração que procurava o novo, que arriscava na cultura, que com o pouco que tinha queria sempre mais. Somos de uma geração que lutou por cada pessoa que gosta da nossa música. E isso é também fruto de sermos desta cidade.

O que pode o público esperar do concerto na Feira de São Bernardo? Haverá espaço para ouvir os clássicos ou o público pode ouvir sobretudo temas mais recentes?

Várias surpresas. Vamos percorrer os nossos 30 anos. Estamos a preparar um alinhamento que busque agarrar multidões, mas também não esquecer as canções que só alguns conhecem. Sempre fomos fanáticos pelos lados ‘b’. Haverá alguns momentos assim. Em termos cénicos estamos a preparar uma grande produção. Tudo assenta na música, o resto vem por acréscimo.

Estão a preparar alguma surpresa ou momento especial para este concerto?

Estamos sim. Mas uma vez mais, é sempre pela música.

Sentem a proximidade com o público como essencial à vossa identidade artística?

Sinceramente, não. A nossa identidade musical nunca dependeu da aceitação do público. Quando se cria algo nunca se deve pensar na eficácia, ou no mercado, ou na reação. Devemos pensar sim naquilo que queremos dizer, que estética queremos seguir. Se pensássemos nas pessoas não faríamos um Coral inspirado em compositores clássicos.

Mais de três décadas depois da formação da banda, como olham para o vosso percurso até aqui?

Que felizardos somos. Ainda fazemos aquilo que mais gostamos.

Não seríamos a banda que somos se não fossemos de Alcobaça. Para além da cidade em si é a sorte que tivemos de crescer junto a uma geração que procurava o novo, que arriscava na cultura, que com o pouco que tinha queria sempre mais

Como é que mantêm a criatividade e a vontade de continuar a fazer música nova ao fim de tantos anos?

Acreditar nas canções e no nosso poder de reinvenção. Se for para fazer igual ao que já fizemos, mais vale nada fazer.

O que têm planeado para os próximos tempos? Podemos esperar novidades em termos de discos, colaborações ou digressões internacionais?

Queremos fazer um novo disco. O resto a seu tempo.

A banda tem acompanhado a evolução cultural de Alcobaça? Que opinião têm sobre a forma como o concelho tem promovido a cultura e a música ao longo dos anos?

Alcobaça tem ajudado projetos da cidade. Há iniciativas como o Palco no Rossio que promove o talento de vários estilos, por exemplo. Houve anos em que o apoio vinha dos privados. Bares como o Bar Ben e o Clinic foram importantes na divulgação e inspiração de muitas gerações. Infelizmente as novas gerações não vêm a música como nós víamos. Usa-se a música para funcionar, para se ser famoso. E eu sou da geração que usava a música para poder respirar.

Agosto 24, 2025 . 13:00

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