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Devoção a Nossa Senhora da Nazaré “não tem fronteiras” e atrai milhares

Há mais de oito séculos que a comunidade se reúne em torno da sua padroeira. Nos dias de hoje, a fé em Nossa Senhora da Nazaré continua a atrair milhares de peregrinos e visitantes à vila piscatória.

A devoção de oito séculos a Nossa Senhora da Nazaré dá forma a um programa religioso que até 14 de setembro volta a unir fé, cultura e tradição. Organizada pela Confraria de Nossa Senhora da Nazaré, a componente religiosa das Festas do Sítio atrai, todos os anos, milhares de peregrinos e visitantes.
O presidente da Confraria de Nossa Senhora da Nazaré recorda que a dimensão cultural e popular do evento que hoje se vive nasceu da devoção à Virgem em 1182, continuando a ter nela “o seu alicerce”.
“A confraria tem procurado manter o equilíbrio entre a celebração religiosa, que é a essência das festas, e a sua expressão popular, que atrai milhares de pessoas ao Sítio”, esclareceu ao nosso jornal Nuno Batalha, convicto de que “não há tradição sem fé”.
Por isso mesmo, o responsável acredita que a componente cultural “só faz sentido porque existe um profundo enraizamento religioso que atravessa séculos”.
Entre os momentos religiosos mais simbólicos das festas, Nuno Batalha destacou três: a procissão solene, “que percorre as ruas do Sítio e simboliza a ligação entre a Virgem e o povo”; a eucaristia na basílica, “ponto alto da celebração litúrgica”; e o momento de oração no Promontório, que recorda o milagre de D. Fuas Roupinho e reforça a dimensão histórica e espiritual da devoção.
“Estes momentos são expressões de fé coletiva e constituem um elo fundamental entre o passado, o presente e o futuro da comunidade nazarena”, sublinhou.
Este ano, a confraria introduziu novos momentos religiosos de oração e reflexão, como a novena mariana no santuário e um encontro intergeracional dedicado à história e ao património religioso da Nazaré”. O objetivo, esclareceu Nuno Batalha, é “aprofundar a vivência espiritual, aproximando ainda mais os devotos de Nossa Senhora”.
A presença de peregrinos vindos de todo o país e “cada vez mais do estrangeiro” é, no entender da confraria, “uma prova viva de que a devoção a Nossa Senhora da Nazaré não tem fronteiras”.
“Para a comunidade local, é motivo de orgulho e de responsabilidade: acolher quem nos visita e transmitir-lhes a riqueza da nossa fé”, frisou Nuno Batalha, considerando que esta mobilização contribui igualmente “para reforçar a identidade da Nazaré como um centro espiritual e cultural de referência”.
Nuno Batalha convida a viver as Festas do Sítio “com fé, alegria e coração aberto”, desejando que cada momento “seja uma oportunidade para honrar Nossa Senhora da Nazaré, reforçar laços familiares e comunitários, e sentir a força de uma tradição que atravessa séculos”.

Transmitir tradição às novas gerações é um dos desafios
A devoção a Nossa Senhora da Nazaré “faz parte da identidade coletiva do povo nazareno” e para garantir que essa ligação se mantém viva junto das novas gerações, a confraria tem apostado em momentos de proximidade, como as celebrações das eucaristias, catequeses especiais, visitas guiadas ao santuário e partilha de testemunhos sobre a história e os milagres associados à Virgem. Além disso, constatou, a digitalização da confraria e a presença ativa nas redes sociais têm sido “essenciais para chegar às novas gerações e manter viva a mensagem de fé”.
Não menos importante são os projetos em curso para revitalizar os círios em honra de Nossa Senhora da Nazaré. Nesse âmbito, Nuno Batalha destacou a “relação direta com a diretoria do círio de Nazaré de belém do Pará [Brasil]”, que irá proporcionar, em conjunto com o Santuário de Fátima, a realização do segundo congresso internacional de santuários Marianos.
Entre os desafios, Nuno Batalha apontou a necessidade de “manter viva a espiritualidade num mundo cada vez mais marcado pela “pressa e pela dispersão e o isolamento”, garantir a “transmissão da tradição às novas gerações”, “equilibrar a dimensão religiosa com a vertente cultural e turística das festas, preservando a sua essência”, bem como gerir recursos humanos e financeiros, uma vez que a confraria tem um vasto património artístico e cultural e uma “grande obra social” que intervém nas áreas da saúde, educação e apoio aos seniores, jovens e famílias.
“Trabalhamos todos os dias para que a fé continue a ser o centro de tudo o que fazemos”, assegurou.
Quanto ao futuro, a prioridade passa por “preservar o património religioso e reforçar a vivência espiritual, mas também inovar na forma de comunicar e envolver as pessoas”.
Outro dos desejos da confraria é que as celebrações continuem a ser um “símbolo de união” para a comunidade nazarena e um convite à reflexão, à oração e à partilha.
Com novos projetos no horizonte, a confraria ambiciona trabalhar ainda mais na valorização do santuário e do património religioso com novas iniciativas culturais e espirituais, melhorar a comunicação digital, criando mais conteúdos sobre a história e a espiritualidade de Nossa Senhora e criar programas de apoio a peregrinos, “tornando a experiência de fé mais acessível e acolhedora”.
O reforço da ligação com escolas e jovens, garantindo a continuidade da devoção e a construção de um novo lar de seniores, bem como a “grande intervenção” no Hospital de Nossa Senhora da Nazaré, são outros dos objetivos futuros da confraria.

Setembro 4, 2025 . 18:30

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