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Governo francês cai após chumbo de voto de confiança

Um total de 364 deputados chumbaram a moção de confiança, forçando a queda do Governo liderado por Bayrou

O primeiro-ministro francês, François Bayrou, perdeu hoje por ampla margem o voto de confiança que havia convocado na Assembleia Nacional, e deverá apresentar a demissão na terça-feira, após apenas nove meses no cargo.

Um total de 364 deputados chumbaram a moção de confiança, enquanto 194 apoiaram-na, forçando a queda do Governo liderado por Bayrou, que terá agora de apresentar a renúncia ao Presidente francês, Emmanuel Macron, o que deverá acontecer na terça-feira.

Pela primeira vez na história da Quinta República, um governo caiu durante uma moção de confiança, segundo a presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet, que referiu que dos 589 deputados que compõem a Câmara, 573 estiveram presentes e, destes, 558 votaram.

Depois do anúncio do resultado da votação, solicitada pelo próprio Bayrou, este deixou a Assembleia Nacional sem fazer declarações.

Após a apresentação da demissão do Governo centrista, o chefe de Estado francês deverá nomear um primeiro-ministro, que se encarregará de constituir um novo governo.

O presidente dos deputados do Partido Socialista, Boris Vallaud, falou de um momento “bastante triste” e “bastante grave” na Assembleia Nacional após a queda de François Bayrou, devido à falta de apoio à sua proposta de orçamento do Estado para 2026, em que previa 44 mil milhões de euros de poupanças para reduzir a dívida do país.

Já a presidente dos deputados da França Insubmissa (LFI, esquerda radical), Mathilde Panot, saudou o resultado da votação de confiança, perante a imprensa presente à saída da Assembleia Nacional.

“O senhor Bayrou queria uma hora da verdade, e creio que a teve”, afirmou Mathilde Panot, acrescentando que “a partir de amanhã”, terça-feira, o partido apresentará uma moção de destituição contra Macron.

Para a presidente do grupo LFI, o facto de quase dois terços dos deputados terem votado contra a confiança mostra que “a política macronista (...) é minoritária tanto na Assembleia Nacional como no país”.

“Perante esta impostura que vem a lume, não queremos mais um primeiro-ministro que continue a mesma política, e a questão que se coloca ao país é a da saída de um Presidente da República que se recusa a respeitar a soberania do povo”, referiu.

Desde o início do segundo mandato de Emmanuel Macron, em maio de 2022, sucederam-se na liderança do executivo Elisabeth Borne (até janeiro de 2024), Gabriel Attal (até setembro de 2024), Michel Barnier (até dezembro de 2024) e François Bayrou.

O Presidente francês, cada vez menos popular e prestes a enfrentar algumas manifestações que prometem parar o país, terá duas opções: escolher um novo primeiro-ministro de direita ou do centro que seja aceite pelo PS - que se declara pronto para governar - ou convocar eleições antecipadas, podendo ambas mergulhar a França numa nova crise política.

Setembro 8, 2025 . 18:29

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