
Festival de Ópera celebra Bizet, Ravel e Manuel de Falla
O Festival de Ópera de Óbidos abriu no sábado a sua edição de 2025 com um concerto dedicado a Georges Bizet, no ano em que se assinalam os 150 anos da sua morte. A Gala Bizet homenageou o compositor de algumas das mais emblemáticas óperas da história da música, mas também Vasco da Gama e Luís de Camões, assinalando os 500 anos da morte do navegador e o nascimento do nosso maior poeta, ao incluir a apresentação da Ode Sinfónica Vasco da Gama.
Em palco estiveram a Orquestra de Câmara Portuguesa, sob direção do maestro Pedro Carneiro, e o Coro Sinfónico Lisboa Cantat, bem como os solistas Beatriz Maia, João Fernandes, Marco Alves dos Santos e Cláudia Ribas, que deram voz a excertos de Carmen, La Jolie Fille de Perth e Les Pêcheurs de Perles, obras do compositor francês.
No próximo fim de semana, o festival oferece ao público uma introdução gradual ao universo da ópera, com duas récitas acessíveis e de curta duração. A Promenade Famílias convida o público a uma verdadeira imersão operática, através de um ‘double bill’ que parte do universo da infância, mas fala a todas as idades: ‘A Menina, o Caçador e o Lobo’, de Vasco Mendonça, e ‘L’enfant et les sortilèges’, de Maurice Ravel.
A obra de Vasco Mendonça, estreada em 2022 com libreto de Gonçalo M. Tavares, revisita o conto tradicional infantil a partir da perspetiva do lobo — que pode não ser o vilão. Após o intervalo, o público será conduzido ao universo onírico da obra-prima de Ravel, centrada numa criança e nos seus sortilégios. A récita assinala também os 150 anos do nascimento do compositor francês, num espetáculo de irreverência musical e forte mensagem humanista, inspirado ainda pela estética de Almada Negreiros, nos 55 anos da sua morte.
Já o fim de semana de encerramento apresenta um ‘double bill’ mais dramático e ousado: ‘Il segreto di Susanna’, de Wolf-Ferrari, e o bailado ‘El Amor Brujo’, de Manuel de Falla, no centenário da sua estreia. Ambas as obras evocam a luta pela emancipação da mulher e transportam-nos para a estética charmosa e sedutora da Belle Époque, sublinhando os valores humanistas da liberdade e da tolerância.
Entre estes dois grandes momentos, terá lugar o recital de ópera e canção ‘Da Distância e do Desejo’, que espelha o compromisso do festival em dar palco a talentos emergentes da cena lírica. E será ainda apresentada, em contexto escolar, a ópera contemporânea Café Europa ‘Between Memories’, de Christoph Renhart e libreto de Miguel Honrado. Integrada no projeto europeu ‘Sounds of Change’, a obra aborda o drama atual dos refugiados numa ação educativa em que a palavra de ordem é tolerância.
Com esta edição, a diretora artística do festival, Carla Caramujo, espera que “o festival de Ópera de Óbidos se consolide como um importante evento cultural” no país” e convida o público a “desfrutar da belíssima música de Bizet, Ravel, Vasco Mendonça, Wolf-Ferrari e Manuel de Falla, nas interpretações de grandes artistas nacionais como os cantores João Fernandes e Ana Vieira Leite, e internacionais como os encenadores André Heller-Lopes e Max Hoehn, entre outros”.







