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Associação alertou Governo para gravidade dos fogos em Portugal

A ACEC considera que “o combate a este flagelo exige políticas estruturais, persistentes e pragmáticas, que combinem medidas de curto prazo com reformas de fundo capazes de corrigir os desequilíbrios territoriais".

A Associação Estudos do Centralísmo (ACEC), com sede em Miranda do Douro, alertou o primeiro-ministro através de uma carta onde manifesta a profunda preocupação com a persistência e gravidade dos incêndios florestais em Portugal.

“Os incêndios não devem ser encarados como fenómenos naturais: resultam, em larga medida, de um modelo de desenvolvimento centralizado que, ao longo de décadas, concentrou população e recursos no litoral, deixando vastas áreas interiores à mercê do despovoamento, do abandono e da ausência de gestão ativa do território, com principal incidência no interior do país”, indica a ACEC numa nota enviada à Lusa.

Esta Associação disse ainda que “os incêndios [rurais e florestais] resultam também de circunstâncias conjunturais, como a elevada incidência de atos negligentes ou criminosos e a falta de um sistema eficaz de prevenção e vigilância e que Portugal apresenta recorrentemente uma das maiores áreas ardidas da União Europeia, o que evidencia a insuficiência das políticas públicas adotadas até agora”.

Para a ACEC, “a floresta continua marcada por desordenamento, pela ausência de limpeza e gestão sustentável e por uma vigilância reduzida e pouco eficaz e acresce ainda o risco de um sentimento de normalização ou de fatalismo do fogo, que desvaloriza a sua origem criminosa ou negligente".

A Associação Estudos dos Centralismo defende ainda que “a importância deste último aspeto reforça a urgência do investimento em meios de vigilância mais eficazes e justifica um substancial agravamento das penas para os incendiários e a obrigatoriedade de aplicação de medidas de restrição da liberdade, até ao julgamento, para os incendiários apanhados em flagrante”.

A ACEC considera que “o combate a este flagelo exige políticas estruturais, persistentes e pragmáticas, que combinem medidas de curto prazo com reformas de fundo capazes de corrigir os desequilíbrios territoriais".

A Associação considera que a prevenção e o combate aos incêndios devem ser inseparáveis de uma estratégia de descentralização, de valorização do Interior e de promoção da coesão territorial.

Nesse sentido, a ACEC apresenta propostas prioritárias, como reforçar a vigilância e o combate precoce, criando um sistema moderno, baseado em tecnologia avançada (câmaras térmicas, sensores, satélites, drones, sistemas em rede e previsão meteorológica fina), capaz de garantir uma deteção rápida, dissuadir ou identificar atos criminosos e aumentar a rapidez e a eficácia do ataque inicial.

Outra das propostas passa por reorganizar e descentralizar o sistema de prevenção e combate, transferindo competências, meios humanos, técnicos e financeiros para entidades regionais como as Comunidades Intermunicipais, permitindo que cada região organize a defesa do seu território de acordo com o risco.

“O Estado atuaria, em coordenação, em situações mais graves, incluindo o recurso à cooperação internacional e a intervenção das Forças Armadas”, vinca a Associação que enumerou ainda outras estratégias para a mitigação dos incêndios.

Desta estratégia passa ainda a profissionalização e especialização dos bombeiros florestais, criando corpos permanentes, preparados para atuar não apenas no combate, mas também na prevenção dos incêndios, em que a distribuição destes meios deve obedecer a mapas de risco e não apenas à lógica administrativa atual.

Defende-se ainda que estado e entidades regionais devem assumir a coordenação e, quando necessário, a execução direta dos trabalhos de gestão florestal, sobretudo em terrenos públicos, baldios ou privados cujos proprietários sejam desconhecidos ou não tenham capacidade de suportar os encargos resultantes da lei.

Setembro 15, 2025 . 16:30

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