
Suinicultores reúnem-se em Almeirim para debater desafios e futuro do setor
O XI Congresso Nacional de Suinicultura realiza-se na quarta e na quinta-feira no Pavilhão Multiusos de Almeirim reunindo centenas de profissionais, investigadores e decisores políticos para debater os principais desafios do setor.
Em entrevista à Lusa, o secretário-geral da Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS), João Bastos, destacou que o evento “tem como principal objetivo refletir em conjunto com os empresários sobre os temas que estão na ordem do dia” e “gerar notoriedade para um setor que representa cerca de dois mil milhões de euros no PIB nacional”.
Segundo o responsável, o programa, promovido pela FPAS, está estruturado em três grandes blocos: técnico, socioprofissional e de promoção ao consumidor.
As manhãs serão dedicadas a questões técnicas como o bem-estar animal, a sanidade e a redução do uso de antimicrobianos, dirigidas sobretudo a médicos veterinários e engenheiros zootécnicos. Já as tardes abordarão temas mais amplos, como a geopolítica internacional, a economia e a internacionalização do setor.
Entre os oradores confirmados estão o ex-ministro da Economia Pedro Siza Vieira, que falará sobre o estado da economia portuguesa e as oportunidades para o setor, e Pedro Nonay, consultor internacional da Cargill, que abordará o impacto das tensões no Mar Negro na produção de cereais e matérias-primas.
João Bastos sublinhou que a inteligência artificial (IA) é um dos temas em destaque na iniciativa e que começa a ganhar espaço na suinicultura, com aplicações que vão desde o controlo do uso de antimicrobianos até à certificação e à biossegurança.
“Já temos sistemas de IA a monitorizar os movimentos dos trabalhadores dentro das explorações, para evitar a propagação de doenças entre secções”, explicou, acrescentando que também há sistemas automáticos de controlo de veículos que entram nas unidades de produção.
A biossegurança é outra das principais preocupações do setor, face à ameaça da peste suína africana (PSA), que tem alastrado na Europa Central e do Norte.
“Portugal está livre da doença desde os anos 80, mas a única defesa que temos é a biossegurança”, alertou João Bastos, referindo que a FPAS tem vindo a sensibilizar os produtores para reforçarem os seus procedimentos.
O congresso contará com a presença de uma investigadora romena da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa, que apresentará os avanços na investigação de uma vacina contra a PSA.
“Queremos também transmitir uma mensagem de esperança. Há vários projetos em curso e acreditamos que em breve poderemos ter novas ferramentas para combater esta ameaça”, afirmou.
Outro vírus em foco será o PRRS, uma doença respiratória que afetou gravemente a produção espanhola nos últimos dois anos.
“Só em 2024, Espanha perdeu 10% da sua produção, o equivalente à totalidade da produção portuguesa”, alertou o responsável, sublinhando a necessidade de vigilância e prevenção.
No plano internacional, o setor enfrenta ainda os efeitos das tarifas impostas pela China à carne de porco europeia, no âmbito de uma investigação ‘anti-dumping’.
“Portugal, juntamente com outros cinco países, conseguiu negociar uma taxa de 20%, face aos 60% aplicados ao resto da Europa, o que nos dá alguma vantagem competitiva”, referiu João Bastos.
A vertente de promoção ao consumidor será abordada através da apresentação da “Rota da Carne de Porco”, um projeto que visa valorizar o produto nacional e reforçar a ligação entre produtores e consumidores.









