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Arcebispo da Beira (Moçambique) diz em Fátima que política deve procurar o bem comum

Definindo Fátima como “local de encontro”, o arcebispo exortou os fiéis a serem “pedras vivas, testemunhas de esperança” na construção da Igreja

O arcebispo da Beira (Moçambique) defendeu hoje, no Santuário de Fátima, que a política deve procurar o bem comum sem cair nos atropelos da dignidade humana e considerou que a paz só é possível com abertura ao perdão.

Na homilia da missa que encerra a peregrinação internacional aniversária ao santuário, Claudio Dalla Zuanna afirmou que a política deve procurar o bem comum, “sem cair nos atropelos à dignidade humana, transformando as estruturas iníquas que oprimem e marginalizam, mormente, os débeis e os pobres”.

Antes, salientou que a caridade deve ser a “renúncia a interesses pessoais, também legítimos, para que as outras pessoas possam ter quanto precisam para a sua vida”.

“Nossa Senhora ensinou-nos que a experiência de fé deve abrir-nos à vivência da caridade, a caridade torna-se o critério de autenticidade da nossa vida cristã, da nossa fé, da nossa religiosidade”, prosseguiu Claudio Dalla Zuanna.

Aos milhares de peregrinos presentes – o santuário estimou em 110 mil os participantes -, o prelado referiu que a Virgem de Fátima indicou “como caminho para a construção da paz e a salvação do mundo a conversão pessoal”, para sublinhar que a paz é tão precisa nestes dias.

A este propósito, elencou os conflitos na Ucrânia, no Médio Oriente, em Myanmar, em Cabo Delgado (Moçambique), no Sudão “e tantos outros lugares”.

Para o arcebispo da Beira, no mundo atual, a paz, “como no tempo das Aparições”, quando estava em curso a I Guerra Mundial (1914-1918), é precisa, mas “só é possível se o coração de cada um enveredar pelo caminho da conversão e se abrir ao bem, ao perdão, à solidariedade e ao cuidado da vida”.

Claudio Dalla Zuanna referiu ainda que a Virgem na Cova da Iria instou à oração, “pedindo o perdão dos pecados, a conversão dos pecadores e a paz no mundo”.

Definindo Fátima como “local de encontro”, o arcebispo exortou os fiéis a serem “pedras vivas, testemunhas de esperança” na construção da Igreja.

No final da homilia, o arcebispo da Beira recordou as palavras do Papa João Paulo II que, em março de 1984, em Roma, consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria.

Então, João Paulo II, que esteve por três vezes no Santuário de Fátima (1982, 1991 e 2000), assinalou “as lutas entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas, que abalam o mundo contemporâneo”, pedindo que “se revele, uma vez mais, na História do mundo, a força salvífica da redenção, a força do amor misericordioso”.

Já este domingo, na Praça de São Pedro, em Roma, o Papa Leão XIV teve igual gesto, consagrando o mundo ao Imaculado Coração de Maria.

Perante a imagem original de Nossa Senhora de Fátima, Leão XIV “pediu pela paz”, confiando à Virgem “os filhos atormentados pelo flagelo da guerra”, segundo informação do santuário.

O Papa entregou também uma Rosa de Ouro ao Santuário de Fátima, uma distinção que os líderes da Igreja Católica “atribuem a personalidades ou santuários, igrejas ou cidades, em reconhecimento e recompensa por assinalados serviços prestados à Igreja ou a bem da sociedade”, informou o templo mariano.

A Rosa de Ouro foi hoje colocada junto à imagem venerada na Capelinha das Aparições na missa que encerra a peregrinação de 12 e 13 de outubro, depois de ter regressado no domingo de Roma.

A primeira Rosa de Ouro foi concedida ao santuário, em 1964, por Paulo VI, o primeiro Papa que visitaria Fátima três anos depois, e a segunda por Bento XVI, que esteve no santuário em 2010. Já em maio 2017, Francisco entregou, igualmente, uma Rosa de Ouro, quando se deslocou a Fátima.

Outubro 13, 2025 . 12:24

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