
Projeto ‘Bolotas Mestras’ quer valorizar floresta autóctone na Mata Nacional
Chama-se ‘Bolotas Mestras’, é um projeto municipal que resulta de um acordo entre o município das Caldas da Rainha e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, e pretende valorizar as espécies de floresta autóctone presentes na Mata Nacional das Mestras.
Além da parceria com o ICNF, o município das Caldas da Rainha convidou as quatro associações locais de ambiente – Associação PATO, Ágora – Associação Ambiental, Biogleba e GEOTA – para se associarem e participarem no projeto, por considerar que “o estabelecimento de parcerias sinergéticas na área da educação ambiental maximiza a abrangência, a eficiência e o valor do Projeto”.
Em comunicado, a Câmara esclarece que para a concretização deste programa, foi submetida uma candidatura ao Programa Floresta Comum, que culminou neste projeto como “uma solução para o fornecimento regular de exemplares autóctones com origem certificada para as ações de reflorestação e arborização do território concelhio”.
O objetivo é, pois, valorizar as espécies de floresta autóctone presentes na Mata Nacional das Mestras, sobretudo sobreiros e carvalhos, “garantindo o aproveitamento das suas sementes para germinação em viveiro e posterior utilização das plantas assim propagadas em ações de reflorestação e arborização do território concelhio”, explica a autarquia.
Na sinopse do projeto, pode ler-se que a área ocupada pela Mata Nacional das Mestras inclui 84 hectares arborizados principalmente por sobreiros (ocupam 70% da Mata), mas também por pinheiro-bravo, pinheiro manso e carvalho. Trata-se de um espaço responsável pela captura de 81 a 131 toneladas/hectare de carbono orgânico do solo, sendo considerado um dos 14 territórios vulneráveis prioritários do concelho das Caldas da Rainha, sobretudo devido a variações na disponibilidade de água que podem ter consequências no desenvolvimento e manutenção das espécies, mas também deixar esta área mais vulnerável à ocorrência de incêndios.
O recentemente elaborado Inventário do Arvoredo Urbano, no âmbito do qual foram mapeadas e caracterizadas 22.566 árvores, permitiu verificar que 54% dos exemplares arbóreos existentes em espaços verdes municipais têm mais de 20 anos.
“Este dado é relevante na medida em que o ensombramento conferido pela copa e a contribuição do sistema radicular para a proteção contra a erosão e para a promoção da infiltração da água no subsolo são tanto maiores quanto maior (e mais antigo) é o exemplar arbóreo. Assim, a arborização dos espaços urbanos tem de ser um processo contínuo, de modo a que haja permanentemente exemplares de todas as classes etárias”, refere o documento.
Assim, o município delineou um Programa Municipal de Arborização Urbana para o próximo quinquénio com vista ao reforço da arborização dos espaços urbanos.
Paralelamente, a Câmara compromete-se a organizar anualmente uma ação de sensibilização ambiental dirigida ao público geral destinada à recolha de bolotas na Mata das Mestras, por ocasião do Dia Nacional da Floresta Autóctone (23 de novembro), e a prestar apoio às campanhas de recolha de sementes consideradas necessárias pelo ICNF. Por outro lado, pretende organizar anualmente ações de plantação dos exemplares mantidos em viveiro até atingirem o tamanho ideal.







