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Mãe e bebé abandonado à porta do quartel de bombeiros juntos no hospital

Mulher de 27 anos foi identificada e constituída arguida por suspeita de abandono de um bebé, com apenas 24 horas de vida, à porta do quartel dos Sapadores de Leiria. Mãe tem estado com o filho, que não inspira cuidados, e caso tem gerado uma onda de solidariedade entre a comunidade.

Leiria acordou esta segunda-feira com a notícia de um bebé abandonado à porta do quartel dos Bombeiros Sapadores. Um caso chocante, com contornos de desespero, sem memória de tal ter acontecido na cidade do Lis, mas que conduziu a uma onda de solidariedade sem precedentes e à mobilização de equipas multidisciplinares que poderão dar um final feliz a esta história.
Eram perto das quatro da madrugada de segunda-feira, quando um bombeiro dos Sapadores de Leiria assomou-se à janela, pensando que estaria a chegar a carrinha do pão que habitualmente passa pelo quartel. Este soldado da paz já se tinha apercebido de “alguns barulhinhos” que ecoavam perto da dita janela, mas nada o prepararia para o que iria encontrar: um bebé que estava dentro de um saco de supermercado, vestido com roupas “não adequadas”, segundo o diretor de Pediatria do hospital, mas que o manteve quente. “Trazia um saco térmico para ajudar a não arrefecer”, e, de acordo com a PSP, foi encontrado “aconchegado com um cobertor”, “um biberão com leite, uma chupeta e fraldas”.
De imediato foram acionados os meios para transportar o bebé para o Hospital de Santo André, a cerca de 850 metros do quartel dos Sapadores.
Segundo João Agro, diretor do serviço de Pediatria do Hospital de Santo André, o bebé, um menino, terá nascido cerca de 24 horas antes de ser encontrado pelo bombeiro, a avaliar pelo estado em que se encontrava o cordão umbilical.
Foi observado, avaliada a idade gestacional, confirman­do-se ser um bebé de 40 semanas, que nasceu com três quilos e meio. A condição física também foi avaliada e “verificou-se que estava tudo bem”, explicou João Agro ao nosso jornal.
“Não inspira cuidados de saúde”, é “um bebé saudável”, acrescentou o diretor, que em mais de três décadas de serviço não se lembra de ter enfrentado um caso semelhante.
Apesar de saudável e sem inspirar atenções redobradas, o bebé vai permanecer internado e aos cuidados do hospital de Leiria “até as autoridades decidirem qual é o caminho que vai ter”.
Enquanto o recém-nascido recebia todos os cuidados do hospital e todas as atenções mediáticas, a PSP, com o apoio do sistema de videovigilância da cidade, e das câmaras de vigilância do quartel, encetou uma investigação que culminou, horas depois, na identificação de uma mulher, de 27 anos, entretanto constituída arguida.
Natural do Brasil, emigrada em Portugal, onde se encontra legalizada, a mulher vivia em Sines até há cerca de uma semana, altura em que arranjou um apartamento em Leiria, e onde terá tido o bebé, aparentemente sozinha, sem qualquer apoio. Foi ouvida durante a tarde de segunda-feira, nas instalações do Comando Distrital de Leiria da PSP, tendo sido encaminhada depois para o Hospital de Santo André para avaliação médica. É onde ainda permanece, junto do bebé. Fonte hospitalar disse ao nosso jornal que a mãe tem estado com o filho e que tem sido acompanhada por uma equipa multidisciplinar, composta por profissionais de saúde, psicólogo e assistente social na procura de dar um final feliz à história.
Isto porque, existe uma certeza de que se trata de um caso em que a própria mãe é vítima, que num ato de desespero deixou o recém-nascido às portas de uma entidade que sabia que o iria proteger. Prova disso mesmo, visível na câmara de vigilância, são as várias vezes que a mãe voltou para trás até deixar o filho no saco e seguir caminho a pé, até casa, onde foi encontrada pela PSP nesse dia, ao final da manhã.
“Vejo esta mãe desesperada a fazer uma coisa destas”, apontou José Rito, comandante dos Sapadores de Leiria, para quem “o quartel dos bombeiros refletiu para a mãe um sentimento de segurança de saber que o filho ia ser acolhido”. “Sinto que aquela mãe está a sofrer, até tendo em conta a forma como o bebé estava acomodado no saco. Ela não fez mal à criança”, acrescentou, em declarações ao nosso jornal.
A comunidade também não está indiferente a este caso inédito em Leiria. Desde que a notícia veio a público que anónimos têm manifestado apoio e vontade em ajudar a mulher e o filho.
Ao hospital, por exemplo, e através das redes sociais, há pessoas que, de forma anónima, dão informações e contactos para ajudar, mas o nosso jornal sabe também da vontade de outras pessoas da comunidade em apoiar a mulher no caminho que terá de enfrentar com a justiça.

Outubro 22, 2025 . 13:00

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