
Leiria quer transformar o seu ADN industrial numa força para a defesa
A região de Leiria quer colocar a sua tradição industrial e o seu espírito de resiliência ao serviço de um novo desafio estratégico: o da indústria da defesa.
O CH Group encontra-se atualmente a elaborar o Plano Estratégico para as Indústrias da Defesa da Região de Leiria, promovido pela Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL) e pela NERLEI CCI (Associação Empresarial da Região de Leiria/Câmara de Comércio e Indústria), que pretende capitalizar as capacidades industriais da região e adaptá-las à área da defesa.
O documento ainda está em “fase de trabalhos”, mas as primeiras linhas de diagnóstico já permitem perceber o potencial competitivo da região.
Na sua intervenção no NEXXT, na quarta-feira, no Castelo de Leiria, o CEO do CH Group, António Henriques, partilhou algumas conclusões preliminares do estudo que sustentará o desenvolvimento do plano, sublinhando que “Leiria revela uma posição favorável a poder integrar cadeias de fornecimento” da defesa, sejam elas “mais longas ou mais curtas, com maior ou menor valor”.
António Henriques destacou como fatores importantes para o sucesso de uma futura fileira da defesa a sua “tradição” e experiência nos moldes, metalomecânica e compósitos, bem como o “historial importante no fornecimento da indústria automóvel” e a existência de uma comunidade académica e tecnológica “dinâmica e próxima do tecido empresarial”.
O documento apresentado defende que o aumento da capacidade industrial exigirá o envolvimento de mais fornecedores, sendo que a inclusão de novos atores nas cadeias de fornecimento dos grandes ‘players’ europeus, segundo especialistas militares e representantes dos clusters nacionais da Defesa, deverá ocorrer num período máximo de um ano e meio a dois anos. Após esse prazo, prevê-se que o setor volte a estar completamente ocupado e consolidado.
Este trabalho deverá estar concluído até ao final do próximo mês de novembro, envolvendo o Governo, as instituições militares, centros de investigação, universidades, indústrias e, complementarmente, outros ‘stakeholders’ e prestadores de serviços.
“Repensar” e “refazer” o tecido industrial de Leiria
No entender do CEO do CH Group, “o momento que Leiria e a sua indústria atravessam é desafiante”, sublinhando a necessidade de “repensar, refazer e reestruturar o modelo e o tecido industrial de Leiria”.
Entre as principais oportunidades para as empresas da região, o estudo indica, entre outros, o potencial ao nível do “fornecimento de subconjuntos metálicos e peças maquinadas” para os setores aeronáutico, naval e terrestre, o desenvolvimento de componentes em compósitos para estruturas e blindagem, e o ‘software’ crítico, cibersegurança e integração digital.
Também a criação de novos projetos empresariais que respondam às necessidades do setor são fatores críticos que abrem novas perspetivas de exportação e crescimento para as empresas do cluster da defesa na região.
Já os principais desafios da região nesta área, passarão pelo aprofundamento da cooperação com instituições militares e clusters nacionais, articulação com integradores portugueses (como a Edisoft, Critical ou EID), qualificação industrial do tecido empresarial, a internacionalização através de consórcios apoiados pelo Fundo Europeu de Defesa, bem como a criação de um ecossistema regional que envolva empresas, o Politécnico de Leiria, os centros de I&D e entidades regionais como a NERLEI CCI e a CIMRL.
O presidente da Câmara Municipal de Leiria, Gonçalo Lopes, sublinhou que “se há região onde existe espírito de defesa, mas ao mesmo tempo de coragem e de perante adversidade conseguir vencer é a região de Leiria”.
O autarca recordou que “sempre que há crises”, Leiria demonstra capacidade para pensar os problemas, analisá-los e encontrar soluções, lembrando a resposta exemplar do tecido empresarial durante a pandemia, quando “foi necessário adaptara indústria para proteger as pessoas”.“Temos na nossa região capacidade para adaptar a nossa industria à fileira da defesa usando a capacidade instalada que é extraordinária”, adiantou.
O presidente da Câmara defendeu que o caminho deve ser rápido e estratégico, para que a região saiba aproveitar futuras oportunidades de investimento, mas alertou para a importância de “pensar a indústria para a defesa com versatilidade e abertura”.“Se Leiria não conseguir criar um cluster ou um mini cluster nesta área poucas regiões do país conseguem (…) O nosso país precisa, a Europa precisa e as nossas empresas também”, concluiu.








