Última Hora
Pub Dl Gastronomia 20260609
Pub Dl Ipcb Cursos 20260527
Pub Dl Fabricoeua 20260602
Pub

Dermatologista Miguel Alpalhão pede demissão

Miguel Alpalhão recebeu mais de 700 mil euros em três anos de cirurgias adicionais no Hospital de Santa Maria

O médico dermatologista Miguel Alpalhão apresentou hoje a sua demissão do Hospital de Santa Maria (Lisboa), alegando que não lhe restava outra atitude perante o tratamento “humilhante, degradante e persecutório” que foi alvo por parte da administração.

“Lamentavelmente, não me resta outra atitude que não a demissão das minhas funções, perante a forma de tratamento com intuito humilhante, degradante, discriminatório e persecutório de que fui alvo ao longo do último ano por parte da administração do hospital”, escreve o médico na carta a que a Lusa teve acesso.

Nessa carta, Miguel Alpalhão, que recebeu mais de 700 mil euros em três anos de cirurgias adicionais no Hospital de Santa Maria, refere que a denúncia do seu contrato, assinado em 01 de janeiro de 2024, terá efeitos a 12 de janeiro de 2026, no dia seguinte ao final da suspensão que lhe foi aplicada, com perda total de vencimento.

O médico salienta ainda que cessa o seu contrato com a “plácida consciência” de quem cumpriu as suas funções e obrigações de “acordo com as ordens superiores e procedimentos vigentes” no hospital, criticando a administração do Santa Maria.

“Assinalo, pois, que a suspensão de que sou alvo apenas visa mascarar um problema sistémico de falhas graves imputáveis à administração, como resulta, aliás, das recentes notícias que têm vindo a público, que merece ser conhecido e escrutinado”, salienta o dermatologista.

Refere também que, com a suspensão de funções que lhe foi aplicada, pretendem fazer de si um “bode expiatório para lavar a imagem de uma instituição que não sabe assumir as suas responsabilidades e proteger” os seus colaboradores.

“Exijam-se responsabilidades a quem fez as regras e ordenou os procedimentos e não a quem os cumpriu, como contratualmente obrigado”, escreve Miguel Alpalhão, para quem foi feita “tábua rasa” dos argumentos da sua defesa.

Perante isso, considerou que “só a via judicial permitirá que se faça justiça”, adianta a carta que tem a data de hoje.

O médico salienta também que o serviço de dermatologia “tem muitos profissionais competentes e dedicados”, desejando à diretora do serviço o “maior sucesso” para o reerguer.

Um relatório da Inspeção-Geral das Atividade em Saúde (IGAS), divulgado este mês, concluiu que o médico propôs, aprovou e codificou as suas próprias cirurgias mais de 350 vezes e que marcou consulta para os seus pais sem referenciação prévia obrigatória e operou-os, recebendo mais de 5.500 euros.

A produção cirúrgica adicional é um regime que, no âmbito do Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia (SIGIC), permite a realização de operações fora do horário de trabalho normal das equipas, como aos fins de semana, para reduzir as listas de espera.

O relatório da IGAS foi enviado ao Ministério Público.

Novembro 28, 2025 . 17:30

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
94 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right