
“Maquinaria pesada” reforça prevenção de fogos florestais na região
São nove as novas viaturas de “maquinaria pesada” que passam a integrar as frotas de prevenção e combate aos incêndios dos municípios da região de Leiria, do Oeste e da Lezíria do Tejo. Estes veículos foram entregues ontem, em Porto de Mós, no âmbito do Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais.
Esta iniciativa foi promovida pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), num financiamento de mais de 50 milhões de euros.
No caso da Região de Leiria e do Oeste, as comunidades intermunicipais passam a dispor de duas máquinas de rastos, consideradas essenciais para a manutenção e reforço da rede viária florestal e para a criação de acessos estratégicos, fundamentais tanto na prevenção como numa eventual resposta operacional. Em paralelo, foram entregues tratores com equipamentos para a criação de faixas de gestão de combustível aos municípios da Marinha Grande, Castanheira de Pera, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Bombarral, Nazaré e Salvaterra de Magos, permitindo intervenções regulares na redução da carga vegetal.
O presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL), Jorge Vala, sublinhou que se trata de “uma iniciativa de enorme relevância” para os territórios, “direcionada para aquilo que verdadeiramente importa”: “Reforçar a capacidade de resposta no terreno, proteger a floresta e salvaguardar pessoas, bens e ecossistemas”. Embora reconheça a importância destes meios em contexto de combate, Jorge Vala destacou que o investimento tem um papel decisivo antes do incêndio, criando condições de segurança e preparação. “São equipamentos que fazem a diferença quando todos os minutos contam, mas sobretudo quando permitem agir antecipadamente”, afirmou.
Segundo o responsável, os equipamentos ficam sob gestão dos municípios e das comunidades intermunicipais, em estreita articulação com o ICNF, numa lógica de cooperação institucional. Para Jorge Vala, esta aposta reflete uma visão estratégica dos autarcas: “A defesa da floresta começa muito antes do incêndio. O futuro exige preparação, planeamento e investimento”.
Num contexto de alterações climáticas, o presidente da CIMRL reforçou que os desafios são cada vez maiores. “A resposta só pode ser uma: antecipar, capacitar e agir”, frisou, acrescentando que esta é uma ação que visa “preparar o futuro, com territórios mais resilientes e com maior capacidade de resposta”.
Também presente na sessão, o secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, destacou que a iniciativa está centrada na prevenção e preparação dos meios, apelando às câmaras municipais e juntas de freguesia para “acelerarem os processos de transformação da paisagem e aumento da resiliência do território”.
No país, sobretudo na região Centro, estão identificados mais de 100 mil hectares para proteger, melhorar e transformar, num investimento global de 116 milhões de euros, previsto para 2026 através do PRR.
O governante sublinhou ainda o reforço de equipamentos para executar de forma mais eficaz os Planos de Fogo Controlado (PFC) e os Programas Sub-regionais de Ação (PSA), instrumentos considerados essenciais para a gestão integrada dos fogos rurais. “Estes equipamentos capacitam para depois agir e garantir uma resposta competente”, afirmou. Municípios como Peniche já aplicam o fogo controlado, uma ferramenta que Rui Ladeira considera “vital” para criar descontinuidades na vegetação, reduzir a biomassa e travar a progressão dos incêndios. Atualmente, estas ações abrangem cerca de 2.500 hectares por ano, com a ambição de duplicar essa área em 2026.
Outro dos eixos destacados pelo secretário de Estado foi o pastoreio, considerado uma “atividade determinante para a prevenção de incêndios, gestão de território e humanização do interior”. “Temos de garantir que esta é uma atividade valorizada, garantir a melhoria das condições para quem faz pastoreio, como fator de gestão da paisagem, do território e de proteção aos aglomerados”, disse.
No final de 2025, os ministérios do Ambiente e da Agricultura lançaram uma estratégia com quatro medidas de apoio ao pastoreio, num investimento de 30 milhões de euros, que inclui compensações em áreas baldias, reforço da capacitação, bem-estar animal e aumento do efetivo pecuário.
“Valorizar a atividade do pastor é diminuir a carga vegetal, reduzir o risco de incêndio e criar valor económico e social no território”, afirmou Rui Ladeira, sublinhando a importância de atrair jovens e novos profissionais para esta atividade. O secretário de Estado das Florestas adiantou ainda que esta ação decorreu a nível nacional, e que “200 veículos vão ser entregues ao longo dos próximos meses”.








