10 anos “sem” David Bowie, mas o futuro é com… David Bowie
Lembro-me (ao mais ínfimo pormenor) onde estava, com quem estava, no dia 10 de janeiro de 2016, às 7h00, quando, ao ligar o telemóvel, li a notícia que jamais pensei mexesse tanto comigo, mexesse tanto com o mundo: David Bowie tinha morrido… 2 dias depois do seu 69º aniversário, 2 dias depois do lançamento do álbum “Black Star”.
Mas se este relato pode – para alguns – parecer algo exagerado, recordo as palavras de Kate Bush ao jornal britânico “The Guardian”: “David Bowie era inteligente, imaginativo, carismático, sexy e absolutamente inspirador, quer em termos visuais, quer musicais”. E Kate Bush não ficaria por aqui: “Estou impressionada como este país (Inglaterra) ficou de luto e em choque, com a ideia de que alguém que era imortal, afinal podia mesmo morrer. Bowie era maravilhosamente excêntrico, como só um inglês (eu altero para… só ele) conseguia ser.”
E ele foi tanta coisa… foi um Ziggy Stardust que revolucionou o mundo da música, foi um Thin White Duke, foi um Star Man, foi um Hero, foi “o homem que vendeu o mundo” para terminar num Blackstar que abanaria o mesmo mundo. Pelo meio pegou em Mick Jagger e mandou-nos dançar, colocou Berlin no mapa da história da música, gravando discos que dariam lugar à mítica trilogia de Berlin, e influenciou gente como Iggy Pop, Lou Reed, Andy Wahrol, MIck Jagger, Pet Shop Boys, Brian Eno, David Fonseca (sim, David Fonseca, com quem, na conversa que tivemos há poucos dias, não faltou Bowie), e tantos outros. E foi o génio que nos brindou com cerca de 30 álbuns de estúdio (de “David Bowie” em 1967 a “Blackstar” em 2016), todos eles marcantes e importantes nos seus tempos, que se tornariam entretanto, intemporais).
No cinema foi (quase) tudo o que quis, foi “The man who fell to earth”, desejou “Merry Christmas Mr. Lawrence” ou vagueou pelo “Labyrinth”, para apenas referir três peliculas, e na moda foi “O Criador”, “O Designer”, “O Estilista” preferido… dele próprio. Único.
Em 2013 o Vitória & Albert Museum em Londres inaugurou uma exposição sobre a sua vida e obra, resultante de um trabalho de pesquisa de cerca de três anos. A exposição seria um dos grandes eventos culturais da década em Londres, e em simultâneo, foi editado um livro/catálogo com 320 páginas, que reflete a vida de Bowie até então, com uma qualidade gráfica e fotográfica irrepreensível. Chama-se “David Bowie is Inside” e é uma pérola para qualquer fã de Bowie..
Sem a grandeza desta exposição, mas também com imenso interesse, a ligação de Bowie ao Japão e ao seu universo cultural e artístico foi abordado numa outra exposição (já depois da sua morte) que tive oportunidade de ver em Estocolmo no início de 2023, que seguiu depois para Tóquio e para o Canadá.
10 anos sem David Bowie, mas o futuro continua a passar por David Robert Jones, porque há tanto para descobrir no seu legado… único. Porque o mundo mudou com a sua passagem por aqui.





