Última Hora
Pub Dl Gastronomia 20260609
Pub Dl Ipcb Cursos 20260527
Pub Dl Fabricoeua 20260602
Pub Dl Opticone 20260611
Pub Dl Inova Webinar 20260611
Pub

Pedro Frazão nega ter difamado José Manuel Pureza

Argumenta que utilizou a sua formação cristã para justificar o uso da palavra “pureza” numa publicação nas redes sociais sobre assédio

O deputado do Chega Pedro Frazão negou hoje ter intenção de difamar o atual coordenador do Bloco de Esquerda, utilizando a sua formação cristã para justificar o uso da palavra “pureza” numa publicação nas redes sociais sobre assédio.

Na primeira sessão de julgamento no Tribunal de Lisboa, Pedro Frazão disse estar “perfeitamente inocente”, sublinhou várias vezes que a sua intenção não era difamar José Manuel Pureza e que não se lembra se a publicação foi feita por si ou por alguém que geria as redes sociais.

De acordo com a acusação do Ministério Público a que a Lusa teve acesso, o deputado Pedro Frazão publicou, em 2021, na rede social ‘Twitter’ um vídeo de “uma jovem militante/simpatizante do Bloco de Esquerda, em que esta refere, em súmula, ter sido vítima de atos sexuais não consentidos por parte de indivíduo ligado ao referido partido”.

A acompanhar o vídeo, o deputado Pedro Frazão escreveu: “Já não há Pureza no Bloco de Asquereza? #MeToo”. E questionou ainda, num comentário: “Quem será o nojento de 62 anos?”. Em resposta a uma questão da procuradora do Ministério Público Rita Carmona, o deputado do Chega explicou que utiliza, em várias ocasiões, a palavra “pureza” e que a mesma é utilizada em homilias e atos litúrgicos: “Estava a falar da virtude humana da pureza. Eu tenho formação cristã. É uma palavra que, para mim, é comum”.

Sobre a referência aos 62 anos feita na publicação, o deputado do Chega quis sublinhar que não sabia que o atual coordenador do Bloco de Esquerda tinha, nessa altura, 62 anos e que só soube a sua idade quando foi feita a queixa sobre a publicação em questão. “Tal como não conheço a maior parte das idades dos deputados da Assembleia da República”, acrescentou.

Pedro Frazão disse não se recordar de ter feito a publicação, colocando a hipótese de ter sido feita por outra pessoa: “Não me lembro se fui eu que fiz a publicação ou se foi um dos gestores das minhas redes na altura. A verdade é que foi publicada na minha conta e a verdade é que eu me relaciono com ela”.

Durante a sessão, foram feitas várias referências políticas, com Pedro Frazão a questionar a independência da advogada de José Manuel Pureza, Carmo Afonso, e referindo que a advogada disse em espaço de comentário que o Chega é um partido racista.

“Em meu entender, o Bloco de Esquerda está a judicializar aquilo que devia ser o combate político”, acrescentou.

Também o advogado de Pedro Frazão, José Gaspar Schwalbach, considerou que “o assistente [José Manuel Pureza] pretendeu retaliar judicialmente em nome do seu partido político [Bloco de Esquerda]” e que esta é uma “politização de um processo crime”.

Já no final da sessão, a defesa de Pedro Frazão pediu a exibição do vídeo partilhado pela jovem que disse ter sido vítima de atos sexuais não consentidos e que foi partilhado na conta do deputado do Chega. No ano da publicação, José Manuel Pureza ocupava o cargo de vice-presidente da Assembleia da República e era deputado eleito pelo Bloco de Esquerda.

Para o Ministério Público, Pedro Frazão “tinha perfeita consciência” de que José Manuel Pureza “pertencia aos órgãos do Bloco de Esquerda, que havia sido eleito deputado por aquele partido e que tinha 62 anos de idade”.

Janeiro 12, 2026 . 19:45

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
94 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right