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Festividades são “fator de união e coesão na freguesia”

Para a comunidade, estas festas são também momento de culto religioso aos santos padroeiros da freguesia da Ortigosa. Pároco local exalta população a manter o espírito vivo das festas

Todos os anos, faça frio ou chuva, a comunidade da Ortigosa une-se para dar vida a uma festa que celebra os santos daquela freguesia do concelho de Leiria. Entre procissões, missas e o arraial, as festas em honra de Santo Amaro e Santo António mantêm viva a tradição que, segundo o padre Alcides Neves, é o “número principal” da Ortigosa.
Pároco da freguesia há 15 anos, Alcides Neves acompanha de perto as evoluções das festas e da comunidade que a organiza, marcada pelo voluntariado e pelo espírito de comunidade. Alcides Neves conta ao nosso jornal que este é um momento de encontro, memória e de identidade comunitária, os ingredientes principais para que as festas se realizem.
Esta celebração, que é fator de união e coesão na freguesia, implica as “mãos” da população e dos jovens que nesta época se “aproximam” para (re)viver o ponto alto da vida local, frisa.
Em conversa com o nosso jornal, o pároco admite dificuldades financeiras ao longo dos anos. Ainda assim, a resiliência da comunidade tem mantido à tona as festas. “Eles [as comissões] tentam melhorar, mas o problema está sempre ligado aos artistas, que são cada vez mais caros”, lamenta Alcides Neves, lembrando que o pagamento destes artistas é fruto do trabalho voluntário das gentes da Ortigosa, dos andores e das rifas. “É preciso trabalhar muito para cobrir o orçamento”, reforça o pároco.
As duas procissões, que se realizam amanhã e domingo, em honra de Santo Amaro e Santo António são, segundo Alcides Neves, os momentos religiosos “mais importantes e aguardados” destas celebrações. “Muita gente vem só para a procissão”, afirma, acrescentando que são “muito admiradas”.
Alcides Neves recorda como “o povo cristão sempre gostou de festas”. “Escolhiam santos apropriados para a região onde viviam”, conta, lembrando que a origem religiosa das festas remonta a vários séculos e está profundamente ligada à história do território.
O padre recorda ainda que a Ortigosa foi, em tempos, uma zona pantanosa, onde a água tinha um papel central na vida das pessoas. “Ainda conheci pessoas que para atravessar o campo tinham de usar o barco”, recorda. A devoção a Santo Amaro prende-se com essa ligação às águas, já que o santo é tradicionalmente associado à proteção dos marinheiros e dos bombeiros.
Questionado sobre o impacto das festas na fé da população, o padre Alcides faz uma distinção clara. Se por um lado reconhece que a dimensão religiosa nem sempre é profunda, “às vezes a fé é muito superficial”, por outro sublinha a importância do evento enquanto espaço de comunidade. “As pessoas andam muito indiferentes e frias. Mas é um momento importante para os velhinhos irem ao adro lembrar tempos antigos e falar uns com os outros”, refere.
O pároco da Ortigosa aproveitou este momento para deixar uma mensagem à população, afirmando que este continua a ser o “ponto alto” da freguesia, e se “todos sonham com isto”, é para “manter e sonhar sempre com o futuro”.

Janeiro 16, 2026 . 17:30

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