Última Hora
Pub Dl Leiriakids 20260525
Pub Dl Ipcb Cursos 20260527
Pub

Preservar a fé sem perder a festa: o novo desafio das Festas

A Ortigosa volta a celebrar Santo Amaro e Santo António, mantendo viva uma tradição religiosa e cultural que continua a mobilizar centenas de voluntários e visitantes de fora da freguesia. O presidente da Junta de Freguesia refere que este é “o expoente máximo” do território

As festas em honra de Santo Amaro e Santo António regressam à Ortigosa, no concelho de Leiria, mantendo-se como o momento mais marcante da vida da freguesia. Para o presidente da Junta de Freguesia da Ortigosa, estas celebrações representam “o expoente máximo da nossa freguesia” e continuam a afirmar-se como uma das festas de referência do norte do concelho.
“As festas de Santo Amaro já foram a grande festa da zona norte do concelho e uma das maiores festas do concelho de Leiria”, recorda Américo Coelho, sublinhando que, apesar de alguma perda de “pujança” das festas religiosas em geral, esta celebração sempre conseguiu manter uma forte adesão popular. Realizadas em janeiro, numa altura em que há menos concorrência de outros eventos festivos, as festas atraíam, e continuam a atrair, muitos visitantes. “Inclusive vinham autocarros e pessoas de fora para as festas de Santo Amaro”, recorda o autarca.
Manter a dimensão e o nível de outras épocas tornou-se, contudo, um desafio crescente. A principal dificuldade prende--se com a necessidade de um grande número de voluntários. “As festas de Santo Amaro envolvem muitas centenas de voluntários, desde os andores, o restaurante, a quermesse, a tasquinha. Isto exige muita gente e começa a ser difícil”, admite. Ainda assim, o responsável destaca o espírito de orgulho e pertença associado às festas. “Há esse orgulho, porque a festa de Santo Amaro é ‘a festa’.”
Esse estatuto de referência foi, durante anos, reconhecido também por outras localidades. “Era aqui que se vinha ver o fogo-de-artifício para depois contratar para as outras festas. As outras comissões de festas vinham aqui ver quem fazia o fogo, os artistas e tudo. Nós éramos a grande montra, a referência”, recorda.
Apesar da importância do evento, o apoio da Junta de Freguesia é limitado. “Infelizmente, é muito pouco”, explica, referindo as regras legais existentes. Ainda assim, sublinha que a festa é totalmente autónoma. “A festa de Santo Amaro não precisa rigorosamente nada da Junta de Freguesia. Está estruturada, tem as comissões e os voluntários. O mérito é mil por cento deles”. O apoio da autarquia passa essencialmente por questões burocráticas, como licenças e certificados, que representam “uma gota de água na organização da festa”.
A preservação da vertente religiosa é uma das preocupações centrais da freguesia. A procissão, que decorre no sábado e no domingo, é considerada “o ponto alto da festa”, mas começa a gerar debate interno. “A razão da festa é a parte religiosa, mas hoje começa a ser mais mercantil do que religioso”, alerta o presidente da Junta. Para evitar a perda da identidade tradicional, está a ser discutida a criação de um modelo que obrigue todas as futuras comissões a respeitar uma matriz comum, especialmente na organização da procissão.
Entre as tradições a preservar está a ordem de entrada dos andores e a presença de, pelo menos, duas filarmónicas. “As pessoas preferem gastar dois mil euros num DJ do que numa filarmónica, mas a matriz cultural e de tradição religiosa não é essa”, afirma, defendendo a conciliação entre tradição e modernidade. “Hoje é impensável fazer uma festa que não tenha um DJ, mas a filarmónica se calhar não tem que acabar.”
Apesar das mudanças, Santo Amaro continua profundamente enraizado na população. “É uma festa que ultrapassa completamente a freguesia” e que, na opinião do autarca, continua a ser “a festa de referência do norte do concelho de Leiria”. Ao contrário de outras celebrações, “Santo Amaro ainda tem um peso bastante forte” e consegue manter a componente religiosa bem presente.
O impacto económico no comércio local é, no entanto, reduzido. A maior parte das refeições é feita no restaurante da própria festa. “Acredito que 90% das pessoas que fazem refeições nestes dias fazem-no no restaurante da festa”, explica, considerando que os benefícios para o comércio local são residuais.
Para quem visita a Ortigosa durante estes dias, a mensagem é clara: “Que se divirtam, que usufruam e que contribuam para que as festas de Santo Amaro continuem a ter a pujança que têm”, sem esquecer um agradecimento especial. “O mais importante é realçar e agradecer às centenas de pessoas que estão envolvidas na festa.”
Olhando já para o futuro, está prevista uma novidade para 2026: a exposição dos melhores andores da procissão no Agromuseu D. Julinha. “Há ali verdadeiras obras de arte”, sublinha o autarca, destacando as dezenas de horas de trabalho “refinado” envolvidas na sua construção. Normalmente são cerca de sete andores, um por cada lugar da freguesia, decorados com papel, elementos naturais, bolos tradicionais e chouriças. Um património efémero que a Ortigosa quer agora dar a conhecer ao público durante todo o ano.

Janeiro 17, 2026 . 15:00

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
94 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right