
Comissão criada após descarga de efluentes deverá ser alargada a outras entidades
A comissão criada para avaliar os impactos ambientais resultantes da avaria na estação elevatória de Monte Real e as necessidades de investimento, tem como data prevista para o término formal dos trabalhos o dia 26 de março, data em que está agendada a última reunião. No entanto, a Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL) pretende dar continuidade ao grupo de trabalho, envolvendo outras entidades.
“Nesse dia [26 de março], a CIM faz intenção, até porque foi manifestada essa vontade por parte dos presentes, de dar continuidade a esta comissão, eventualmente mais alargada e também com outra designação, por se ter tratado de um evento pontual agudo [avaria e consequentes descargas], com o propósito de avançar para um projeto”, explicou o presidente da CIMRL, Jorge Vala, aos jornalistas após a reunião da comissão de acompanhamento, realizada na semana passada, na estação de tratamento de águas residuais (ETAR) do Coimbrão, no concelho de Leiria.
Assumindo que “é necessário intervir a vários níveis no rio”, o presidente da CIMRL exemplificou com “outro tipo” de permanência na monitorização e sistematização daquilo que são os processos de avaliação, mas também de “intervenção direta em toda a bacia”.
“Criámos condições, a partir de agora, para se avançar, efetivamente, para além daquilo que tem sido conversa”, garantiu, explicando que da reunião “decorreu que existem fundos para poder fazer uma intervenção séria”, assim como disponibilidade da CIMRL para avançar com o projeto.
Ainda segundo Jorge Vala, as câmaras de Leiria e da Marinha Grande, e a Associação de Regantes estão “disponíveis para serem parte também em todo este processo”.
“Penso que demos um passo muito importante, que espero no dia 26 de março possa ser concretizado já com candidatura para avançar com obra o mais cedo possível”, afirmou.
Também o vereador do município de Leiria responsável pelo Ambiente, Luís Lopes, defendeu a necessidade de dar uma dimensão mais abrangente ao trabalho desenvolvido, considerando fundamental que a comissão envolva todos os municípios integrados na bacia hidrográfica do Lis, bem como outras entidades ligadas, por exemplo à agricultura e à saúde pública. “Temos vários assuntos que se cruzam e temos que trabalhar de forma conectada”, reforçou.
Relativamente à intervenção a concretizar com os fundos disponíveis, Luís Lopes adiantou que irá ser apresentada uma proposta de intervenção para os rios Lis e Lena à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que “não se cinge só ao controlo das invasoras”, mas também à “retirada das canas”, “estabilização das margens”, “recuperação das galerias ripícolas e à identificação das fontes de poluição”.
“Este foi um caso pontual, mas os problemas na bacia não são pontuais, são estruturais e recorrentes”, afirmou, sublinhando a necessidade de trabalhar para encontrar “soluções concretas para implementar”.
O autarca adiantou que está previsto o reforço de monitorização da qualidade da água do rio Lis, com pontos fixos e permanentes, 24 horas por dia, desde a nascente ate à foz, para que sejam emitidos alertas às entidades e à própria comunidade em caso de avarias ou descargas poluentes.








