
Seguro também vence em Leiria, mas não em todos os concelhos
Há 40 anos que não precisávamos de uma segunda volta para escolher um Presidente da República e é preciso recuar pelo menos 20 para encontrar uma abstenção tão ‘baixa’ numas presidenciais. Nas eleições de 1986 – que ficaram para a história dos atos eleitorais e da democracia - a segunda volta disputava-se entre Mário Soares e Freitas do Amaral. Agora, a escolha que será feita a 8 de fevereiro (daqui a três semanas), opõe António José Seguro a André Ventura, numa disputa que os analistas consideram ser entre um democrata, com origem política no centro esquerda, e um populista da extrema-direita.
No distrito de Leiria, o comportamento dos eleitores andou próximo da tendência nacional. António José Seguro venceu a primeira de duas noites eleitorais, no país e no distrito, onde ganhou com mais de 29% (em termos nacionais conseguiu superar os 31%). Quanto ao segundo ‘classificado’, Ventura conquistou, no país e no distrito, 23% do eleitorado. O que, traduzido em votos, significa que o candidato mais votado conseguiu mais de 72 mil votos distrito de Leiria e o segundo mais votado ‘arrecadou’ mais de 57 mil votos.
Em termos distritais, António José Seguro venceu na maioria dos concelhos - 11 dos 16 concelhos, garantindo vitórias indiscutíveis em toda a zona litoral e oeste, nomeadamente Bombarral, Caldas da Rainha, Nazaré, Óbidos e Peniche. Quanto ao Interior Norte, venceu em Ansião, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos. E, no centro do distrito, assegurou vitórias em Alcobaça, Leiria e Marinha Grande. Em todos estes concelhos, André Ventura ficou em segundo lugar.
Quanto aos concelhos que foram ganhos pelo líder do Chega, podemos destacar as suas vitórias no interior norte em Alvaiázere e Pedrógão Grande, além das suas vitórias na Batalha, em Pombal e em Porto de Mós. Em quase todos estes, Seguro foi o segundo mais votado, exceto em Alvaiázere, onde apenas conseguiu o terceiro lugar (18%), atrás de Luís Marques Mendes (24%).
A vitória mais expressiva de Seguro é, de forma não surpreendente, em Caldas da Rainha, onde consegue mais de 44% dos votos – recorde-se que é lá que o candidato vive, sendo que a família da sua mulher tem as suas origens neste concelho.
António José Seguro venceu também, como já referimos, em todos os concelhos que aqui definimos como litoral oeste do distrito, com uma votação sempre superior a 30%, o que é considerável, tendo em conta a dispersão de votos destas presidenciais.
Se analisarmos os resultados globais, percebemos que o distrito imita o país, embora com algumas, ligeiras, alterações. No distrito, António José Seguro vence (29,17%), mas um pouco abaixo da percentagem nacional (31,13%) e Ventura mantém-se nos 23%.
João Cotrim de Figueiredo, ocupou o terceiro lugar em termos nacionais, embora com maior percentagem no nosso distrito (em Leiria teve 17,25% dos votos, contra os 15,99% nacionais.
Henrique Gouveia e Melo e Marques Mendes, ocuparam o quarto e o quinto lugares, no país, respetivamente, como no distrito, com o almirante a assegurar 12% do eleitorado. Marques Mendes, que em termos nacionais alcançou os 11% e por cá conseguiu um pouco mais do que 12%.
Uma leitura que também tem que ser feita será a dos números da abstenção – em termos nacionais, em 2021, na reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa, houve 60% de abstenção, que agora ficou nos 47,65%. E, no distrito de Leiria, ainda é mais impressionante pois a abstenção ficou nos 37,9%.
Com a incerteza que caracteriza eleições presidenciais que ‘obrigam’ a uma segunda volta, tudo aponta para que a esquerda e o centro esquerda possam unir-se em torno da candidatura do democrata António José Seguro. Sendo que, à direita, apenas existem tomadas de posição individuais e não partidárias - até agora, pelo menos. Excluindo os derrotados Luís Marques Mendes e João Cotrim de Figueiredo, que se escusaram a endossar qualquer dos dois candidatos da segunda volta, sendo que Henrique Gouveia e Melo ainda não excluiu totalmente alguma tomada de posição.
Já o primeiro-ministro, Luís Montenegro, ‘refém’ do apoio do Chega no Parlamento, nomeadamente para a revisão das leis laborais, recusa tomar partido.







