
Os autarcas de hoje “não estão a exercer o poder por capricho”
Assume a presidência da CIMRL num contexto particularmente desafiante, com alguma pressão para executar os fundos disponíveis. Que diagnóstico faz hoje da comunidade intermunicipal?
A comunidade intermunicipal é composta por um conjunto de dez municípios que têm, naturalmente, o objetivo de afirmar e reforçar a coesão desta região. Trata-se de uma região extremamente dinâmica, com um tecido empresarial único e devo dizer que também ao nível dos fundos comunitários, quer os autarcas, quer os próprios empresários, têm dado exemplos ao país da sua capacidade de aplicar os fundos comunitários no território. Essa capacidade traduz-se quer ao nível de recursos humanos, quer ao nível de investimento estratégicos das empresas, nomeadamente na inovação tecnológica, mas também ao nível das próprias autarquias, melhorando a qualidade de vida das pessoas.
A comunidade intermunicipal é, no fundo, um fator de convergência dos autarcas, mas também das instituições que estão nestes 10 municípios, relevando a importância do Politécnico de Leiria. A academia está numa primeira linha, mas depois as associações empresariais com destaque para a Nerlei. Nós trabalhamos com todas elas, sem exceção, incluindo as associações de menor dimensão, as associações comerciais. Trabalhamos com todos os pares no sentido de melhorar a qualidade de vida da população destes 10 concelhos, sabendo, inclusive, que temos diferenças grandes.
Os cinco concelhos mais a norte têm que contar com os cinco concelhos mais a sul para que haja coesão social e um maior equilíbrio e é esse o pensamento que tem existido.
O que considera inadiável fazer neste mandato?
significativos. O primeiro tem que ver com a habitação. Nesse sentido, e até em resultado da reprogramação do [Centro] 2030, estamos a criar uma agência para a habitação da região. Chama-se ‘Viver Leiria’ e tem como objetivo dar resposta a custos controlados na área do arrendamento. Num primeiro momento, será direcionada para profissões que estão em mobilidade com alguma frequência. A habitação é sempre fator decisivo para se escolher vir ou não para esta região. Falo da saúde, das forças de segurança, dos professores.
Hoje, é fundamental ter esta resposta que poderá ser alargada a outras profissões sempre com o pensamento nos casais mais jovens, porque são aqueles que têm maior dificuldade, no início de vida, de aceder a uma habitação condigna a custos acessíveis.
Vamos trabalhar para que, neste mandato, possamos dar passos importantes na área da mobilidade suave. Temos um projeto de metrobus de superfície, que visa sobretudo reforçar esta coesão entre o território da comunidade intermunicipal. Num primeiro momento, a ligação entre Marinha Grande e Leiria e o contrário, que é caótica, como se sabe. Vai ter de ser antecipada em relação à futura estação da alta velocidade que vai ficar a meio caminho entre Marinha Grande e Leiria, reforçando a pressão neste eixo rodoviário.
Também a ligação de Leiria a Ourém e, num momento posterior, a ligação a Pombal, à Batalha e a Porto de Mós. Este é um projeto essencial e temos de ter uma antevisão daquilo que vai ser a alta velocidade. Portanto, estamos a projetar a região para toda ela drenar para a ‘capital’ de Leiria, porque na nossa perspetiva é assim que faz sentido. É por aí que vamos ter de caminhar.
Uma terceira preocupação tem que ver com a criação do ‘hub’ tecnológico na área da defesa. Nós temos indústria tecnológica de ponta como provavelmente não há no país, com uma dinâmica muito grande e uma capacidade de inovação que decorre da investigação que está implementada. O setor, nomeadamente, o dos moldes, que está com algumas dificuldades, vai merecer o nosso apoio para que se possa refuncionalizar, com o objetivo de podermos, daqui a alguns anos, sermos também um centro tecnológico na área da defesa.
Temos um parceiro de excelência na área da defesa, a Tekever, que já está implementada e que esperamos que venha a reforçar a posição no território de Leiria. Associado a este projeto, estamos em crer que vamos reforçar essa dinâmica que está implementada através do setor dos moldes, mas também da metalomecânica pesada. Esta refuncionalização parece-nos fundamental e já estamos a dar passos significativos para que a região possa ser uma referência ao nível da indústria da defesa
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