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Governo reconhece dimensão "brutal" dos prejuízos e admite recorrer a apoio europeu

António Leitão Amaro deslocou-se hoje à Marinha Grande para ver os danos causados pela depressão Kristin

O ministro da Presidência, que se deslocou hoje à Marinha Grande para ver os danos causados pela depressão Kristin, reconheceu que “a dimensão dos prejuízos é brutal” e admitiu recorrer ao fundo de solidariedade europeu para apoio à reconstrução.

Acompanhado por governantes nacionais e representantes da Comissão Europeia, António Leitão Amaro adiantou que ainda há geradores disponíveis e que a Proteção Civil fez “uma avaliação técnica” que concluiu que a capacidade de resposta nacional “era suficiente e ainda é” e, por isso, não se acionou o mecanismo europeu.

Já no que diz respeito ao esforço de reconstrução que terá de ser desencadeado, o ministro admitiu o recurso ao Fundo de Solidariedade da União Europeia, um mecanismo financeiro criado para apoiar Estados-Membros da União Europeia em situações de catástrofes naturais graves.

Na comitiva que se deslocou hoje ao terreno seguem, além de Leitão Amaro, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, e o comissário europeu da Energia e Habitação, Dan Jørgensen, acompanhados por autarcas locais e responsáveis das autoridades de emergência e proteção civil.

A situação de calamidade – que continuará em vigor até final de domingo, sendo que “a situação vai sendo revista”, assinalou Leitão Amaro – permitiu listar os “cerca de 60” municípios que estão na zona de impacto da ciclogénese explosiva Kirstin, em concreto “o corredor entre os concelhos de Mira e Figueira da Foz e Torres Vedras, até à fronteira com Espanha”.

O ministro acrescentou, “para sossegar autarcas de outros municípios”, que o Governo sabe que “há outras regiões com impactos severos”, designadamente causados por cheias, admitindo que outros concelhos venham a ser acrescentados, à medida das necessidades.

A declaração de calamidade – explicou – permite “a continuação das medidas de prontidão máxima” e desencadeia o levantamento das necessidades no terreno e os apoios à reconstrução, acelerando os mecanismos de contratação pública.

“A situação é mesmo terrível”, constatou Leitão Amaro, elencando os prejuízos em infraestruturas públicas (equipamentos escolares, desportivos, coletivos, empresariais), património natural e casas particulares.

Questionado pelos jornalistas sobre a recuperação da normalidade, o ministro disse que a energia “está a ser retomada mas ainda há 200 mil pessoas sem eletricidade”, sublinhando que a reposição exige “um esforço que em alguns casos demora dias, porque é preciso recolocar cabos”.

O mesmo acontece com as comunicações, já que “as fibras que ligam às antenas foram destruídas”, acrescentou.

“Está a ser feito um esforço”, reiterou Leitão Amaro, reconhecendo ter recebido relatos de “várias pessoas que não têm teto, nem alimento – as duas prioridades”, bem como continuam sem eletricidade e comunicações.

“É uma situação difícil, que vai continuar”, realçou, sublinhando os apelos à população para não circular em zonas vulneráveis e antecipando que os próximos dias serão “de alerta e adaptação”.

As previsões de tempo para os próximos dias motivam “preocupação” e exigem “cautela”, gerando “um sentimento de grande angústia”, reconheceu o governante, garantindo que as autoridades competentes darão nas próximas horas toda a informação sobre os riscos dos próximos dias.

Em nome do Governo, Leitão Amaro prometeu “reerguer a região Centro”, verbo que repetiu várias vezes.

Janeiro 30, 2026 . 13:00

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