Última Hora
Pub Dl Leiriakids 20260525
Pub Dl Ipcb Cursos 20260527
Pub

O publicitário que veio do norte arranjar telhados na Marinha Grande

Fausto Andrade, 34 anos, entrou no sábado num autocarro em São João da Madeira e chegou a Leiria munido de uma trotineta, uma mochila e um saco com ferramentas.

A população de Leiria e Marinha Grande que ficou com telhas arrancadas pela força do vento, na quarta-feira, conta por estes dias com um publicitário que diz que lhes faz o trabalho por metade do preço.

Fausto Andrade, 34 anos, entrou no sábado num autocarro em São João da Madeira e chegou a Leiria munido de uma trotineta, uma mochila e um saco com ferramentas. Pediu ajuda aos bombeiros e pernoitou em Pousos, Leiria, num salão da paróquia onde esteve acompanhado por escuteiros.

Conta passar aí duas a três noites e depois alugar um espaço por duas a três semanas.

“Ontem [sábado] ainda consegui arranjar dois telhados”, contou, minutos antes de começar uma nova obra no número 39 da Rua Floristas Gravadores, em Embra, Marinha Grande.

À hora a que chegou de trotineta e impermeável à casa de Isabel e Carlos Roque, de 69 anos, chovia e teve como primeira preocupação pedir uma tomada para carregar o veiculo.

Como não havia luz em casa do casal, “desapareceu num ápice” com um “volto já”.

Ao regressar e antes de pôr mãos à obra contou à Lusa que leva por estes trabalhos muito menos de “metade dos outros, onde outros levam 600 eu cobro 120 euros, faço preços acessíveis”.

Fausto Andrade disse ainda que “antes de ser publicitário precisava de viver” e foi trabalhar para a construção onde aprendeu como servente.

“Tenho anos na construção, aprendi a ser servente, mas sei fazer uma casa por inteiro”, afiançou.

Sem medo das alturas, assegurou que cumpre as regras de segurança, como colocar tapetes ou esponjas amarradas às sapatilhas para não escorregar.

Após o temporal que deixou a população sem água, luz ou comunicações e que arrancou telhas, árvores de grande porte e destruiu industrias, os moradores têm-se desdobrado a arranjar os estragos. Mas no sábado dois homens desta região morreram a arranjar telhados.

Recusando pôr a vida em risco, o casal Roque, além de não ter água nem luz, ficou com várias telhas fora do sítio e disse à Lusa que encontrou Fausto Andrade na internet.

“Este senhor ofereceu-se, não o conhecemos”, mas com a água a entrar pelo sótão e para dentro de casa aproveitaram “a oferta”.

Para esta obra, Fausto Andrade fez um orçamento de 90 euros. Ainda hoje espera recuperar mais dois telhados.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, causou pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. No sábado, outros dois homens morreram ao caírem de um telhado que estavam a reparar, um no concelho da Batalha e outro em Alcobaça. Na madrugada de domingo, um homem morreu no concelho de Leiria por intoxicação com monóxido de carbono com origem num gerador.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade, que foi prolongada este domingo, após uma reunião do Conselho de Ministros, até dia 08 de fevereiro.

Fevereiro 1, 2026 . 15:56

Partilhe este artigo:

Junte-se à conversa
0

Espere! Antes de ir, junte-se à nossa newsletter.

Comentários

Fundador: Adriano Lucas (1883-1950)
Diretor "In Memoriam": Adriano Lucas (1925-2011)
Diretor: Adriano Callé Lucas
94 anos de história
bubblecrossmenuarrow-right