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Freguesias começam a ver a luz ao fundo do túnel, mas ainda há muito por fazer

A água já chegou a boa parte das freguesias, mas a falta de luz está a deixar os populares “revoltados”. Voluntários estão a fazer a diferença num trabalho muito vezes porta a porta.

Se a cidade de Leiria já começa a dar sinais de alguma normalidade, no que diz respeito à reposição da água e luz, o mesmo não acontece nas aldeias e lugares das freguesias do concelho em que a falta de respostas agudizam a dor dos populares. Contudo, no início desta semana uma luz ao fundo do túnel parece ter surgido no horizonte com a regularização da distribuição de água, mas quanto à luz… nem vê-la.

Na freguesia do Souto da Carpalhosa, o presidente Sandro Ferreira vê na reposição da água em grande parte do território um sinal de esperança, enquanto a luz é somente um privilégio em alguns locais da freguesia.

“Têm sido dias muito difíceis”, assume Sandro Ferreira, dando nota que o pavilhão do Souto da Carpalhosa tem servido de ponto de acolhimento de pessoas desalojadas. Na noite de domingo para segunda-feira eram 16 pessoas. Na noite seguinte foram mais. “Tenho muita gente aqui alojada no pavilhão porque as suas casas não têm condições, estamos a fazer um trabalho porta a porta, a levar bens alimentares bens às pessoas e está a ser difícil porque é um território com muita gente idosa”, contou ao Diário de Leiria, acrescentando que o espaço acolhe “pessoas com diferentes necessidades”, mas com um denominador em comum: “falta de teto ou em perigo de ruir”.

Apesar da “violência e pressão tremendas” dos últimos dias, o presidente da junta destaca o papel de um grupo de voluntários que visitaram mais de 100 famílias da freguesia, limparam ruas, escolas, prepararam refeições e criaram condições para as pessoas pernoitarem e tomarem banho no pavilhão, “dando até banho a pessoas idosas ou com pouca mobilidade”. “Que orgulho e gratidão tenho neles todos”, vincou.

Quanto às prioridades atuais, Sandro Ferreira aponta para a necessidade de as escolas serem arranjadas, assim como a reparação dos telhados das casas, principalmente da população sénior.

Milagres reza por luz

Nos Milagres o cenário é em tudo semelhante, com o trabalho de um grupo de voluntários a fazer toda a diferença. Entre segunda-feira e ontem as ruas todas obstruídas, a distribuição de água estava a ser reposta, mas quanto à eletricidade e à reparação de telhados ainda há um longo caminho a percorrer.

“Temos as escolas já praticamente preparadas para a abertura, mas temos ainda muitas casas destelhadas e a precisar de ajuda para as pessoas conseguirem ter as condições mínimas para habitar”, explicou a presidente da Junta, Vânia Sousa.

Ainda assim, ninguém baixou os braços e está a ser feito um trabalho no terreno que está a dar frutos. “Estamos a fazer visitas a pessoas que já tínhamos referenciadas. Temos a sede da junta de freguesia aberta com posto de energia para as pessoas carregarem os telemóveis, banco de bens alimentares, alguns materiais de construção, lonas, plásticos. É um sítio onde as pessoas podem vir pedir ajuda para podermos ir ao local”, resumiu.

Apesar de todos os esforços, a verdade é que a tempestade faz hoje uma semana e as pessoas começam a ficar “saturadas” deste retrocesso civilizacional. “Não havendo respostas da parte da luz as pessoas começam a ficar desesperadas. Estamos a falar de prejuízos de pessoas que tinham as arcas e os frigoríficos cheios e que está tudo estragado. É preciso saber gerir isto tudo”, assume a autarca.

Quanto às críticas de populares de que a ajuda não chegou a todos, Vânia Sousa garante que ninguém foi esquecido. “As pessoas não percebem que não está na nossa alçada a parte da água e da luz e acabam por se revoltar. Não é fácil chegar a todo o lado, mas temos aqui um grupo de voluntários que está a ajudar a reerguer a freguesia”, explicou, admitindo, contudo, que gostaria de poder dar uma resposta mais eficiente e mais rápida a todos os problemas.

Em relação aos próximos dias, Vânia Sousa sublinha que a maior necessidade passa pela “mão de obra para ajudar na reparação dos telhados”, nomeadamente do Santuário dos Milagres que “ficou muito danificado”.

Fevereiro 4, 2026 . 08:00

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