
Profissionais da ULS Leiria sem penalização se não conseguirem ir trabalhar
Os profissionais da Unidade de Local de Saúde de Leiria não serão penalizados nos seus vencimentos por faltarem ao serviço devido à impossibilidade de se deslocarem para o local de trabalho, assegurou hoje a administração.
A garantia foi deixada numa mensagem aos trabalhadores, a que a agência Lusa teve acesso, dois dias depois da divulgação de uma circular informativa sobre a justificação de ausências ao trabalho devido à tempestade Kristin, que atingiu na última semana a região.
Os responsáveis da Unidade de Local de Saúde da Região de Leiria (ULSRL) reconheceram hoje as “preocupações manifestadas” pelos trabalhadores, na sequência da divulgação do documento, e a necessidade de um “esclarecimento adicional”, salientando que a circular de terça-feira “não retira, nem limita quaisquer direitos”.
A circular indicava que os efeitos da tempestade e declaração de situação de calamidade são “circunstâncias que podem enquadrar-se como facto não imputável ao trabalhador, tornando impossível a deslocação ao local de trabalho”, ausência que seria considerada falta justificada.
No entanto, o documento referia que a perda de retribuição devido à falta justificada poderia ser substituída, no âmbito do Código do Trabalho, “através da renúncia” pelos trabalhadores a dias de férias ou pela utilização dos tempos de trabalho disponíveis em bolsa.
Na mensagem hoje enviada, o conselho de administração da ULS da Região de Leira considerou que a circular apenas pretendeu “apontar legalmente situações excecionais de ausência ao trabalho, decorrentes da tempestade Kristin, num contexto que afetou de forma significativa a vida pessoal e familiar de muitos profissionais”.
“O conselho de administração está plenamente consciente das dificuldades vividas e reafirma, de forma inequívoca, que nenhum profissional será penalizado ou verá o seu rendimento mensal prejudicado por ausências motivadas por impossibilidade de deslocação ao local de trabalho”, adiantou a comunicação.
Segundo os responsáveis da unidade de saúde, as chefias diretas e os diretores de serviço vão, em articulação com cada profissional, analisar individualmente cada situação, procurando as “soluções mais justas e adequadas”.
Num comunicado divulgado na quarta-feira, o Ministério da Saúde adiantou que o Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) reabilitou infraestruturas da ULSRL – que abrange os hospitais de Leiria, de Alcobaça e de Pombal e o Centro de Diagnóstico Pneumológico -, tendo sido reparadas coberturas, desobstruídos espaços exteriores e interiores, substituídos caixilharias e vidros, assim como reparados outros equipamentos da atividade assistencial.
O número de feridos com traumas no hospital de Leiria aumentou para 864 desde 28 de janeiro, quando a depressão Kristin atingiu a região, segundo dados hoje divulgados na reunião diária da Comissão Municipal de Proteção Civil.
Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.







