
Derrocada deixa família desalojada em Pombal
Uma vasta movimentação de terras nas Covas da Cumieira, em Pombal, está a provocar um cenário descrito pelos moradores como “assustador” e “sem precedentes”. Mais de dois hectares de terreno agrícola estão a ceder ao longo dos dias, tendo já destruído a habitação, anexos, infraestruturas elétricas e acessos de uma família que se viu obrigada a abandonar a propriedade onde viviam há décadas.
O primeiro sinal de alerta surgiu há cerca de duas semanas, quando um poço existente no terreno colapsou subitamente. “Desapareceu tudo, as infraestruturas de cimento, o motor, a casinha onde estava instalado, caiu tudo”, relata Mónica Mota, natural de Covas da Cumieira e filha dos proprietários da habitação.
A família atribuiu o sucedido à passagem da depressão Kristin e às chuvas intensas que se têm feito sentir. Dias depois começaram a surgir fendas no solo e na estrada de acesso, sendo que no domingo passado a situação agravou-se drasticamente. “O meu pai ligou a dizer que já não conseguia abrir os portões dos anexos”, recordou, acrescentado que quando chegou a casa, a barreira que fazia a retenção dos solos havia sido engolida pela terra. A partir daí, as fissuras que já existiam no terreno “aumentaram de dimensão e a terra começou a movimentar-se de forma visível”, contou.
Após o contacto às autoridades, técnicos da Proteção Civil e responsáveis autárquicos deslocaram-se ao local. Aos pais de Mónica Mota foi-lhes dito que havia “99% de probabilidade” de todo o terreno continuar a ceder, e a recomendação por parte destas entidades foi imediata: retirar os bens essenciais e abandonar a casa. Com a ajuda de familiares e vizinhos, retiraram o que conseguiram da habitação nesse mesmo dia.
Desde então, a casa dos pais, com 73 anos de história familiar, deslocou-se cerca de dez metros e apresenta fendas profundas, tornando-se inabitável.
“As terras estão completamente reviradas, há oliveiras enterradas, ribeiros que não existiam formaram-se. Parece lava de um vulcão prestes a rebentar”, descreve, acrescentando que também os postes de eletricidade caíram, o alcatrão da estrada estalou e os anexos agrícolas ruíram.
A Câmara classificou o caso como uma “situação anormal” e está a elaborar relatórios técnicos para avaliar o sucedido e apurar possíveis apoios.
Para Mónica Mota, a tragédia é também pessoal, planeava reconstruir uma antiga casa da família no mesmo terreno e regressar para junto dos pais. “Foram sonhos que morreram”, lamentou.







