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Na Bajouca “a população está muito cansada e a perder a paciência”

Grande parte da Bajouca continua sem eletricidade, com apenas duas zonas abastecidas por geradores e uma população cada vez mais desgastada à espera de uma solução definitiva

Mais de duas semanas depois da passagem da depressão Katrin, grande parte da freguesia da Bajouca continua sem eletricidade, num cenário que está a testar a resistência da população. “A população está muito cansada e a perder a paciência, a ficarem impacientes uns com os outros. Começa a ser cada vez mais difícil gerir essa parte”, afirma o presidente da Junta, Sílvio Cabecinhas.

Se, aquando da passagem da tempestade Leslie, cinco dias sem luz “já pareciam uma eternidade”, agora o tempo de espera triplicou. “Já vamos em 15 dias, três vezes mais”, sublinha o autarca, dando conta do desgaste crescente entre os habitantes.

Atualmente, o abastecimento de água está “reposto em praticamente toda a freguesia”, mas a eletricidade continua a ser o principal problema. Apenas duas zonas estão a ser servidas por geradores ligados a postos de transformação: um troço da estrada municipal, entre a zona das piscinas e do pavilhão até à escola, e um ponto no Vale de Cima. “Tudo o resto continua às escuras”, resume.

Quanto a previsões para o restabelecimento da energia, o presidente é claro: “Não temos. Sabemos que se estão a aproximar, mas também sabemos que a nossa zona será sempre das últimas onde a luz vai chegar.” A esperança passa pela colocação de mais geradores que permitam energizar novos postos de transformação e alargar o número de habitações com fornecimento provisório.

A instabilidade meteorológica tem agravado as dificuldades, numa freguesia onde persistem muitos telhados por reparar. “Há pessoas com possibilidade financeira que têm problemas em arranjar empreiteiro e meios para fazer a reparação”, explica Sílvio Cabecinhas, apontando como principal entrave a escassez de mão de obra especializada e de materiais.
Perante as carências, a junta criou vários pontos de apoio. O café das piscinas funciona como ponto de encontro e os balneários das piscinas estão abertos para banhos, sobretudo para quem não tem condições em casa. No pavilhão, está a ser assegurado apoio alimentar, com confeção e distribuição de refeições.

“Apercebemo-nos que há mais necessidades do que contávamos, porque as pessoas estão com dificuldades em deslocar-se e nem sempre conseguem ir às compras”, refere o autarca. Inicialmente, o apoio destinava-se apenas a pessoas referenciadas, mas o critério foi alargado. “Convidamos as pessoas a vir, fazemos um controlo para que não haja abusos, mas abrimos o leque.”

No último fim de semana, cerca de 160 pessoas participaram nas ações de apoio - juntamente com uma empresa que está a colaborar na reparação de telhados, número que deverá repetir-se no próximo sábado.

A junta mantém-se operacional com recurso a gerador, dispõe de comunicações asseguradas através de sistema Starlink e a escola está em funcionamento. Ainda assim, o presidente insiste na necessidade de contenção e solidariedade. “Temos que ter paciência e ser resilientes, porque ninguém vai conseguir solucionar isto de um dia para o outro. A eletricidade vai demorar algum tempo a ser reposta”, alerta.

A mensagem que tem sido transmitida nas reuniões regulares com a população, realizadas a cada três ou quatro dias, é clara: “Temos que nos respeitar muito uns aos outros para não haver abusos, de modo a que a eletricidade de urgência que temos possa chegar ao maior número de pessoas”.

Fevereiro 13, 2026 . 09:00

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