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Vento e chuva provocam cenário “desolador” em Marrazes e Barosa

Território sofreu com o vento forte e agora com as cheias.
A União de Freguesias de Marrazes e Barosa continua a enfrentar um cenário de forte instabilidade e prejuízos avultados na sequência do mau tempo. Dias depois dos primeiros impactos, persistem várias zonas sem eletricidade e com falhas nas telecomunicações, enquanto os trabalhos de reposição da normalidade prosseguem no terreno.
Segundo Paulo Clemente, presidente da União de Freguesias, a situação é particularmente crítica ao nível da energia. “Não há eletricidade nas Barrocas, Janardo e Pinheiros. Existem zonas de Marrazes e Gândara onde também não existe eletricidade. Na Barosa também há zonas às escuras”, descreve. A prioridade é clara: “Neste momento é a eletricidade e que não chova mais”.
O abastecimento de água encontra-se praticamente regularizado. “A freguesia está quase toda servida de água”, refere o autarca, destacando o esforço das entidades envolvidas. Já nas telecomunicações mantêm-se constrangimentos: a rede Vodafone apresenta falhas a partir dos Pinheiros para norte e, quanto às restantes operadoras, “funciona mais ou menos”, dificultando o contacto entre população e serviços.
O retrato dos estragos é, nas palavras do presidente da Junta, “um cenário desolador”. “Houve muitos, muitos estragos. Nunca tinha visto nada parecido”, afirma. A violência do vento e da chuva deixou telhados arrancados, árvores tombadas e infraestruturas públicas e privadas danificadas.
A Mata de Marrazes é um dos exemplos mais evidentes da destruição. “Está toda destruída”, lamenta. Também equipamentos coletivos foram afetados: “O pavilhão foi destruído, instalações de estaleiro foram destruídas. Tudo o que aconteceu às pessoas aconteceu também à Junta”, resume.
Desde o primeiro dia, a autarquia está no terreno. “Estamos a desbloquear estradas, a ajudar nos telhados e a distribuir alimentação”, explica Paulo Clemente. A intervenção passa pela remoção de árvores, desobstrução de vias, apoio às famílias e articulação com a proteção civil.
As cheias na Barosa são outra preocupação já que, por exemplo, na ponte das Mestras e na ponte da Cabreira o cenário é “devastador”, relata, acompanhando a situação no local. Em alguns casos, a prioridade é retirar pessoas de casa por razões de segurança.
O acumular de episódios meteorológicos extremos em curto espaço de tempo tem colocado à prova a população. Consciente do desgaste, o autarca apela à serenidade. “Com tanta saturação — que compreendo — temos de nos manter calmos, sabendo que as coisas, mais dia menos dia, voltarão ao normal.” E reforça: “Todos temos de ter resiliência e paciência para levar isto a bom ponto. Se não, tornamo-nos também nós próprios um problema”.
Enquanto prossegue a avaliação de prejuízos, Marrazes e Barosa mantêm-se em modo de emergência, aguardando que a estabilização do tempo permita acelerar a recuperação e iniciar a reconstrução.
Fevereiro 13, 2026 . 11:00

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