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Tempestade destrói sede mas não cala a filarmónica mais antiga do concelho

A Filarmónica de Monte Redondo viu a sua sede ser destruída pela tempestade. Apesar do cenário de desolador, os elementos da banda e da academia de artes não vão baixar os braços

A depressão Kristin deixou marcas profundas na sede da Filarmónica Nossa Senhora de Piedade de Monte Redondo, a mais antiga do concelho de Leiria. Com 153 anos de história, a associação viu grande parte da cobertura do edifício desabar, destruindo aquela que era a ‘casa’ cultural de cerca de 600 pessoas entre alunos, pais, professores, músicos, direção e associados.

O edifício, histórico e propriedade da Fundação Bissaya Barreto, não ruiu na totalidade, mas a violência do vento arrancou parte significativa do telhado e a chuva infiltrou-se com tal intensidade que o piso superior, em madeira, ficou completamente instável e sem condições de segurança.

O impacto não se mede apenas pela estrutura. Mede-se nas memórias e nas aprendizagens ali cultivadas ao longo de várias gerações. Também nos instrumentos que não resistiram: dois pianos - um vertical acústico e um digital - ficaram destruídos, assim como várias peles de instrumentos de percussão.

Nos primeiros dias após a tempestade, vários membros da direção e músicos entraram no edifício para retirar água, limpar as salas e tentar salvar o que fosse possível. Sofia Sousa, secretária da direção da filarmónica, demorou a conseguir fazê-lo. “No dia em que lá entrei chorei o tempo todo. Os alunos e os músicos também choraram. A tristeza foi tão grande. Às vezes as pessoas dizem que é só uma filarmónica, só um espaço ou só música ou dança, mas a parte cultural é extremamente importante”, desabafou.

Além da banda filarmónica, funcionavam na sede a Academia de Artes, com escola de música e duas escolas de dança, Artis e Fil Beat. Atualmente, o edifício não garante condições para a permanência de nenhuma destas valências.

Embora toda a programação anual tenha de ser revista, os ensaios serão retomados já no próximo fim de semana. A banda filarmónica retomará os ensaios já no próximo domingo, no salão paroquial de Monte Redondo, enquanto que a escola de música funcionará no centro escolar de Monte Redondo e as aulas de dança decorrerão no salão paroquial de Fonte Cova, no sábado.

Para Sofia Sousa, a dor sentida por toda a comunidade d filarmónica ultrapassa largamente o prejuízo financeiro. Afinal, era ali onde “todos se encontravam”. “Era ali que os pais se cruzavam à porta. Aquele edifício guarda muitas memórias”, recordou.

A tempestade interrompeu também um plano que estava em curso desde janeiro: a angariação de fundos para a compra de três instrumentos – uma tuba, um clarinete baixo e um oboé - que agora terão de ser canalizados para reerguer a própria casa. “A tempestade pregou-nos uma partida e o dinheiro que andávamos a lutar para conseguir…. Esse sonho vai ficar adiado”, lamentou.

Apesar da tristeza que atravessa a associação, há uma certeza que se mantém intacta. “Não vamos parar”, garantiu.

“Estamos tristes, até porque o espírito dos músicos da filarmónica é sempre um espírito de alegria e boa disposição, porque a música é a alma deles”, adiantou Sofia Sousa, sublinhando que a “alma não se perdeu, mas ficou triste”.

E porque “todos trabalham e lutam” pelo mesmo objetivo, Sofia Sousa acredita que em breve a associação voltará aos palcos e a estar junto da comunidade.

“Vamos levar isto para a frente, embora com muita incerteza, porque as bandas filarmónicas são instituições que não têm financiamentos. No meio da incerteza, temos a certeza que não vamos baixar os braços”, assegurou.

Os primeiros orçamentos para a recuperação e reabilitação da sede apontam para cerca de 300 mil euros, um valor que a associação não conseguirá suportar sozinha.

Para tentar fazer face aos prejuízos, foi lançada uma campanha de angariação de fundos, na plataforma GoFundMe, numa tentativa de mobilizar a comunidade. Pode aceder à plataforma através de https://www.gofundme.com/f/depois-da-tempestade-a-harmonia.

A filarmónica apela ainda à solidariedade da comunidade, através da doação de material de construção, espelhos móveis para dar continuidade às aulas de dança, mão de obra que permita transferir temporariamente equipamentos para outros espaços. Quem pretender contribuir pode fazê-lo também por donativo direto através do IBAN PT50 5180 0002 0000 0210 9346 7 ou por MB Way para o número 915 555 470.|

Fevereiro 18, 2026 . 09:30

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